segunda-feira, 25 de maio de 2015

Continuidade de Lopetegui



Não me apetecia muito estar aqui a falar da continuidade de Lopetegui. O Presidente já confirmou, mas nem precisava. Para mim é um facto consumado desde o jogo em casa contra o Bayern. Passo a explicar. Nessa altura, já tínhamos a certeza que nunca iríamos perder o título por muitos pontos e até o podíamos ganhar. Na pior das hipóteses, perante uma desvantagem pontual fácil de explicar/desculpabilizar com árbitros, azar, relva alta, lesões, etc., perante a evidência de que o Lopetegui era capaz de pôr a equipa a jogar um futebol de calibre europeu, nem que fosse por um jogo, pareceu-me claro que uma direcção tão experimentada como a do FCPorto sentiria legitimidade para manter a sua aposta de médio prazo. Nesse momento teria que acontecer um desastre para tirar Lopetegui do rumo da equipa. Foi mau, mas não foi um desastre! Acabou por acontecer uma hecatombe ao nível de resultados mas não ao nível do futebol jogado e ao nível da valorização dos jogadores, que é algo que muito importa à nossa estrutura directiva e ao nosso modelo de negócio. Perdemos tudo, mas a Champions deu notoriedade à equipa, ao modelo de jogo de Lopetegui e aos próprios jogadores. Haverá algum jogador que valha menos do que o que valia no início da temporada? Lembro-me de dois: Quintero e Fabiano. Mas não é pouco para uma época sem títulos? O próprio treinador saiu valorizado. Já sei que não é o que os 'media' portugueses nos vendem. Mas já percebemos que os jornais querem 'sangue'. Por vontade deles, o Jesus já estava a treinar na Turquia há quatro anos e, na verdade, acabou por ser com ele que nos ganharam os três campeonatos que nos faltam nos últimos dez disputados...

Ainda assim, parece-me que a hostilidade do país futebolístico, sobretudo o não portista, perante Lopetegui, é demasiado acentuada. Ora é a história do 'Basco' a puxar por um nacionalismo que já não faz sentido nos dias de hoje, ou aquela mania de o pôr constantemente a falar dos árbitros, para fazer com que ele passe por um treinador que não assume responsabilidades. Tudo serve para nos vender uma ideia de que «este estrangeiro sem experiência aterrou aqui e julga que é melhor que nós». Não vejo em Lopetegui maior arrogância do que em Jesus. Não tem um feitio mais irascível do que Sérgio Conceição. E, em termos de arbitragem, nenhum sportinguista poderá apontar queixas demasiadas, a ninguém! O mesmo poderei dizer dos tipos que andaram por aí a entregar DVD's com lances de arbitragem ao ministro do Desporto da altura... Então, porque é que é Lopetegui que concentra em si todos males do mundo? 

E depois vem a história do plantel mais caro de sempre. Haverá algum plantel do Barcelona nos últimos 10 anos que não seja, na sua altura, o mais caro de sempre? E do Bayern? Só porque o adversário directo diz (facto não provado) que desinvestiu e o FCporto não assume essa tendência, é garantia de que o plantel é o melhor de sempre? Por ser o mais caro? Parece-me que o plantel é melhor que o do adversário, mas é uma percepção de talento futebolísticos. É, por exemplo, muito menos experiente. A nossa média de idades no onze mais utilizado é de 24,3 anos enquanto que a do campeão, com apenas 3 pontos de vantagem, é de 29,4 anos de média. Por opção nossa, claro! É o nosso modelo o de valorizar jogadores e vender caro. É consciente mas não me parece que seja justo simplificar avaliações do plantel meramente pela folha salarial até porque os números apresentados pelos clubes têm tendência a enganar um pouco... É mais provável beneficiar no proximo ano da evolução de um plantel de 25,3 ou de um de 30,4? São opções desportivas e de gestão. E eu tendo a concordar mais com a nossa.

Depois vem a desvalorização da campanha na Champions. Só podem estar a gozar! Não se lembram do nosso desempenho contra Artmedia, Apoel, Malaga, Shalke 04, o Austria de Viena no ano passado, etc.?  São equipas superiores às que defrontámos este ano? Não éramos favoritos nessa altura? Fizemos uma boa competição! Optima até ao desastre de Munique.

Ultimamente, para completar o 'ramalhete', vêm as fontes que garantem coisas escabrosas como porrada com jogadores, divergências com dirigentes. Pergunta óbvia: se Lopetegui é assim tão mau, porque é que o querem fora do FCPorto? É de desconfiar...

Concluindo, tenho críticas a apontar e vou escrevê-las em artigo próprio, mas concordo com a continuidade e com a estratégia de médio prazo que está a ser implementada.

sábado, 23 de maio de 2015

Dragão até ao fim


Saí do trabalho em direção ao Dragão com a convicção de que não seríamos muitos. Mas pensei: «poucos mas bons!». Não podia estar mais enganado... Era a despedida provável de Jackson e certa de Oliver, Casemiro e Danilo. Pode ser que me consigam explicar como uma claque exige que a equipa recupere o seu ADN e, na semana seguinte, abandona o seu próprio ADN de claque, não apoiando a equipa. É no mínimo esquizofrénico! Além de que não são claros os motivos. Não pedem a cabeça do treinador, nem do Antero nem do Presidente. Apenas querem que os jogadores corram mais e sintam a camisola. Querem que eles façam isso sem adeptos a apoiar? Querem que eles façam isso tendo a consciência de que só têm adeptos fieis se conseguirem vitórias? Quem são os jogadores que não correm? Em que jogo? São todos os jogadores? Já viram o Jackson jogar em intensidade menor que máxima? Já viram o Quaresma esconder-se do jogo? E o Oliver? E o Rubén? Quem? Que predendem? Gostei que marcássemos um golo no final. E podiam ter sido dois! Uma prenda de despedida de Danilo para os adeptos que mereceram!

O jogo foi fraco e foi-se tornando complicado por causa de uma invulgar capacidade de desperdiçar golos feitos. Vitória justa. MVP para Danilo e LVP para Quintero. Ainda assim, continuo a achar que tem de haver lugar numa equipa para um talento como Quintero. Lopetegui não pode desistir dele! Ficámos com a sensação que a dupla de avançados poderia ter sido mais utilizada este ano...

O que mais me assusta neste episódio é que perdemos o segundo campeonato seguido e as claques já começam com estratégias difusas, absurdas, enfim... Um 'saco de gatos'! Imaginemos se forem três ou quatro ou cinco. Se acontecer eu vou estar lá para apoiar até ao fim! Será que eles vão estar?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Empurrãozinho



Já não nos chegava o facto de não se ganhar nada este ano e ainda temos de dar o "empurrãozinho final". Eu sei que este ano foi correndo tudo muito bem para os lados da Luz em termos de arbitragem. Mas as queixas começam a soar-me um pouco tontas. Não que não façam sentido, apenas porque tivemos oportunidades de ganhar mesmo contando com elas. Reparem na reacção da equipa nos confrontos directos e nos casos em que o adversário perdeu pontos. Como ontem e no Nacional, por exemplo. Não basta ser melhor na teoria. Há que querer sê-lo e demonstrá-lo nas alturas que interessam! Quantas vezes o fizemos este ano? Conto três: Sporting, Basileia e Bayern. Sempre no conforto no Dragão e nunca abaixo do mondego(Setúbal foi a excepção)... Eu sempre me habituei a pensar que não basta ao FCPorto ser melhor. Temos sempre que ser muito melhores para ganhar em Portugal. Não o fomos este ano.

O jogo foi enfadonho e arrastou-se até ao limite da paciência dos portistas. Resolveu-se, em campo e no banco, controlar um 1-0, escasso para o futebol que apresentámos. Parecia que aquele futebol sem balizas chegava porque o adversário não estava a criar perigo nenhum na segunda parte. A verdade é que podia acontecer e aconteceu. 

Individualmente, apenas Jackson. Para variar... Oliver também esteve acima dos colegas. Irritou-me especialmente a exibição de Herrera e  a invulgar percentagem de passes errados do Ruben. Os centrais não ficaram nada bem no lance do golo sofrido. Quaresma foi uma nulidade bem imitada do outro lado por Brahimi. Lopetegui foi dando maus sinais à equipa a partir do banco e proporcionou um bom momento aos jornalistas, que tanto o adoram, ao pôr um dos joelhos no chão a certa altura.

Há muito para reflectir agora. Mas vamos tentar ajudar aqui com artigos de análise à época.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Tri-pichichi


Começam a faltar motivos de interesse neste campeonato. Pelo menos para os portistas. O de ontem era o de saber quantos golos Jackson iria marcar, por forma a que confirme o terceiro título consecutivo de melhor marcador. Tal permitirá que faça o pleno, visto que participou em três campeonatos... 

Dois golos foram poucos para as oportunidades que criámos e deu a ideia que só queríamos os golos de Jackson, dada a absoluta 'nabice' demonstrada nos outros momento de finalização. Mesmo assim, não foi mau e o estilo do último golo deu para compensar a paciência com que aturámos alguns longos períodos de bocejos a que assistimos no Dragão. Dava a ideia que quando acelerávamos, criávamos perigo. À minha volta falava-se dos 5 golos que a equipa do Mota apanhou na semana passada. Ontem não foram 5 ou mais por causa da nossa falta de eficácia. Jogo sem grande história.

Pela positiva, gostei do MVP do jogo e da temporada, Jackson. Esteve bem auxiliado por Danilo e Quaresma que fez mais duas assistências para golo. Gostei também das entradas de Ruben e Evandro que ajudaram a agitar o 'bocejo' que estava a ser a segunda parte. Pela negativa Alex. Irritou-me imenso. Uma displicência de quem quer sair, de quem não quer renovar, ou sei lá o que vai na cabeça de um jogador, a não ser o gel e as tranças. Irritam-me os craques amuados.

No final esperáva-nos outro motivo de interesse que foi a conferência de Lopetegui. Tenta simplificar com comparações de rendimento na Chanpions e com decisões de árbitros, para explicar como é que uma equipa superior fica pior classificada que uma equipa pior. É um modo de ver as coisas mas também sinto entre os portistas outro tipo de raciocínio simplificador: Se mesmo com o 'manto de proteção' a diferença é de três pontos, significa que o confronto directo foi determinante. E aí provámos ser melhores? Fizemos tudo para prová-lo? São apenas simplificações. Quem quiser que as engula... Nós aqui vamos tentar pensar mais e nos próximos tempos vamos analisar a época 'como deve ser'.

domingo, 3 de maio de 2015

A Sul do Mondego



A comunicação social fez questão de referir que o nosso desempenho a sul, nos últimos tempos, tem sido medíocre. Já sei que estão com pressa mas, se não fosse este Setúbal, seria difícil encontrar bons resultados a Sul de Coimbra (incluindo ilhas) nos últimos dois anos. Já sei que estas estatísticas não podem valer muito, mas não posso deixar de notar um ligeiro bloqueio nas nossas capacidades nestes jogos. Até os juniores, que ganharam no seixal e em alvalade, e que nos poderão dar o nosso único título deste ano em futebol, perderam na Madeira este fim de semana... Os Sub17 também empataram. Começa a ser preciso dar cabo deste 'bloqueio' e ninguém se importava que tivesse sido na semana passada...

Não foi 'famosa', a nossa exibição de Setúbal. Não seria de esperar dado que o título está mais improvável a cada jogo que passa. É difícil jogar neste estado de depressão em que nos afundámos na semana passada. o golo chegou cedo e isso ajudou a alguma descompressão da equipa. O que também ajudou, foi o facto de o adversário não ter conseguido um único lance de perigo. Há um lançamento lateral que resulta num cabeceamento, mas apenas isso. No final, lembraram-se que faltava o golo de Jackson e lá se tratou disso. O jogo não ficará na memória mas notei algo que fica. A colocação de Brahimi numa posição mais central e entre-linhas é interessante por dois motivos. O primeiro é que muitos, como eu, têm falado da nossa forma de jogar como vincadamente e conscientemente lateralizada o que causa problemas perante equipas que se organizam bem para tapar esses caminhos. A utilização de Brahimi no meio traz uma nova fonte de problemas ao adversário contribuindo para a versatilidade do nosso jogo. Chegamos então ao segundo motivo de interesse desta opção e a mais inquietante. Porquê agora? E na semana passada? Não terá sido a afincada observação a este adversário...

Tenho dificuldade em atribuir um MVP. Talvez Jackson que está nos dois golos. Alex esteve bem mas ia fazendo penalti, o que é um erro grave. Ricardo seria sempre um dos centros das atenções devido à absurda opção de Munique. Teve coisas boas e algumas atrapalhações ofensivas. Por mim, tem condições para ser titular no próximo ano. Falta saber se Lopetegui acredita nisso. Pelo contrário, não gostei de Quaresma nem de Hernani.

Siga a luta!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Súmula BB



Meia dúzia de frases que descrevem na perfeição o sentimento dos portistas no final do jogo de Domingo.

Apenas um reparo às palavras do nosso BB. Fiquei com a ideia que ele põe muita da responsabilidade em cima dos jogadores. De facto, ao contrário dos jogadores, vimos Lopetegui revoltado com o resultado. Seria motivo para elogiar o treinador por ser o único que sentiu aquela derrota como deveria sentir. No entanto, o papel dele é incutir esse sentimento nos jogadores e isso não se viu...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Menos com menos não deu mais


Sabia que íamos enfrentar um clube candidato ao título transformado em clube que luta para não descer de divisão. O 'pontinho' iria saber bem e nem seria a primeira vez que jogariam assim este ano. Não esperava que o FCPorto demonstrasse tanta dificuldade em criar problemas a este esquema defensivo. Dá-me a ideia que as duas equipas, deliberadamente, se retraíram e resistiram a um impulso natural de tentar vencer o seu maior rival. O problema é que, o que para nós era uma gestão de ímpetos com receio de perder já o campeonato, no caso das 'papoilas', isto era um saborzinho a título... Terá sido a primeira vez que ouvi uma tentativa de 'olés' com nulo no resultado... Eles contentam-se com esta mediocridade e eu até posso compreender, pelo facto de não cheirarem o 'Bi' há trinta anos. Não me conformo com a nossa incapacidade de os fazer sofrer perante esta falta de ousadia, perante este futebol 'trapatonizado' e perante esta táctica que enfrentamos todos os fim-de-semanas, seja com a Académica, seja com o Boavista, seja com o Arouca, etc. Exigia-se mais às duas equipas que um jogo de futebol sem balizas e eu atribuo mais responsabilidade ao FCPorto, porque é o meu clube e porque estávamos em posição de os pôr em pânico. 'Meio a zero' chegaria!

O onze inicial não me entusiasmou nem me assustou. Por um lado, muitos clamavam por Helton e com razão. Evandro e Ruben têm demonstrado capacidade de jogar seja onde fôr. Por outro, a saída de Quaresma fazia adivinhar falta de acutilância ofensiva, mas era simultâneamente uma opção que não seria fácil de antecipar pelo adversário. Dei o benefício da dúvida. De facto, entrámos melhor. Com muita bola, com controlo do jogo, mas sem perigo. A única excepção foi o lance de Jackson. Ao intervalo parecia-me pouco. Julgava eu que a estratégia passaria a ser mais ousada na segunda parte. E até pareceu essa a intenção mas ficámos por aí, pelas intenções. O jogo passou a ser de bolas para a bancada, provocações, simulações, perdas de tempo, etc. Nada conseguimos fazer para contrariar o futebol nulo que se jogou.

Individualmente, não notei nenhuma exibição deslumbrante. Dou o MVP a Danilo porque me pareceu o jogador mais próximo da sua normalidade. Brahimi começou bem mas foi desaparecendo e Jackson teve todas as nossas oportunidades, mas não definiu bem. O meio campo recuperou muitas bolas mas só com Herrera e com os laterais é que nos conseguimos aproximar da área contrária. Por isso, é normal que não atribua grande nota aos médios. Quaresma e Hernani também entraram com vontade. Apenas isso. Os centrais anularam bem as acções do adversário mas aqueles lançamentos longos foram muito maus. Lopetegui perdeu a aposta táctica inicial e pareceu-me que perdeu substituições ao meter dois extremos no jogo. Para isso mais valia ter deixado Brahimi em campo e ter a possibilidade de lançar Aboubakar no desespero. Por falar em desespero, que dizer daqueles últimos dois minutos de jogo em que insistimos em não colocar a bola na frente? 

Resta-nos ganhar para adiar ou ganhar para pressionar. Começa a ser uma época frustrante...

domingo, 26 de abril de 2015