quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Reagindo


Vitória muito importante! E é importante sob três perspectivas: 'resultadista', técnica e psicológica.

Do ponto de vista do resultado estabelecemos um fosso em relação ao adversário de ontem, que nos permitirá gerir os próximos três jogos com outra confiança. Sete pontos em três jogos, tendo já jogado em casa do principal adversário, roça a perfeição.

Depois havia Lopetegui. O que é que o tipo iria inventar depois da Taça? Dizia 'O Jogo' e o próprio, na conferência de imprensa de lançamento, que tudo permaneceria igual. Nem tudo... Na minha opinião jogou um dos melhores onzes possíveis, ou próximo disso. Talvez pudesse encontrar lugar para Oliver e Rúben na equipa ou até para Quaresma,  mas o onze satisfez. Logo à partida, o receio das invenções atenuou um pouco. O esquema também não desiludiu. Entrámos bem no jogo e a primeira parte é bem agradável. Conseguimos fomentar a criatividade de Quintero e simultâneamente promover a velocidade de Danilo e Tello. Voltamos a ter alguma dificuldade nas decisões. Tello, Brahimi e Quintero demoram eternidades a rematar e os lances foram-se perdendo por falta de objectividade. Mas o futebol estava lá e acabou por compensar mesmo no final, com o golo do 'patinho feio'. O problema é que o arranque da segunda parte foi pior. As alterações  no Bilbau foram cirúrgicas e expuseram as nossas limitações num meio-campo que tem Quintero. Já vimos que não podemos ter tudo. Ou temos os passes para golo ou temos a segurança defensiva no miolo. Ainda por cima, Tello e Brahimi não têm a capacidade de nestas alturas ajudarem Jackson na pressão à saída do adversário e foi muito vulgar ver os médios criativos adversários a receber entre linhas, de frente para a baliza. O jogo ficou partido e o golo surgiu em mais uma perda de bola mas, neste caso, poderia ter acontecido de outra forma, tal era a nossa incapacidade de controlar a reacção do adversário. Lopetegui reagiu tarde mas bem, apesar da indignação do Dragão. Depois de controlar o jogo tentou ganhá-lo com Quaresma e conseguiu. Outra solução possível poderia ser a entrada de Oliver por Quintero. Poupava nos assobios e acredito que o efeito seria semelhante. Mas acho que o Lopes esteve bem. Apenas lhe posso apontar que o Rúben poderia ter entrado 5 minutos mais cedo.

Por último, o efeito psicológico. Perante a contrariedade fica a reacção e isso traz motivação. Não era fácil reagir perante aquele coro de assobios, perante mais um golo oferecido e perante o resultado de Sábado. Reagimos na entrada em jogo e reagimos perante o empate. Veremos os efeitos já no fim de semana. Mas este efeito só poderá ser aproveitado numa lógica de estabilidade nas escolhas. Aguardemos...

Individualmente gostaria de destacar Tello e Alex Sandro. Tello foi o avançado mais perigoso e apenas peca na decisão. Parece que só remata com o pé esquerdo. Talvez a confiança que vai acumulando mude isso. Alex Sandro esteve bem. Defendeu como sabe e apenas cometeu um erro que foi um falta estapafúrdia na cabeça da área, perto do final. Poderia ter sido grave porque foi perigoso... Fica o registo do seu regresso às boas exibições e o facto de continuar a equilibrar a equipa com as subidas constantes de Danilo que, do outro lado, continua a ser dos jogadores em melhor plano. Jackson dificilmente joga mal e Herrera esteve bem, mas manchou a exibição com o mau passe para Casemiro e com o desnorte no início da segunda parte. Casemiro também piorou bastante na segunda parte. Pela negativa, Maicon. Tem de pôr os olhos no seu colega de sector. Indi está longe de ser um fora-de-serie, mas parece viver bem com as suas limitações. Conhece-as e adapta-se ora com agressividade, ora com sentido prático. Maicon, que poderia ser bem melhor, não consegue ser. Vejam a cobertura ridícula que faz no lance do golo. Antes disso um lance em que ganha a frente e consegue ser ultrapassado na mesma, sem usar o corpo nem a vantagem que tinha. Erros demasiado primário para um jogador com tantos anos de casa. Não gostei também de Fabiano. Foram vários os lances de aflição em cruzamentos. 

Referência para os adeptos do Bilbau. Por muito que tenha corrido relativamente bem e de os tipos que estavam à minha volta serem simpáticos, há que repensar se o dinheiro da bilheteira poderá ser trocado pela segurança dos adeptos portistas e dos do Bilbau. Estavam todos espalhados pelo estádio e até dava a ideia que encheriam uma bancada inteira se estivessem todos concentrados no mesmo sitio. Agora expliquem-me como é que iriam controlar aquilo se houvesse algum problema? Ainda por cima, aquela cor não combina nada bem com o estádio...

Para terminar um episódio no Dragão. Não me consigo habituar à malta que me rodeia no meu sector na bancada central do Dragão. Chega a parecer que é um portismo que oscila entre o aburguesado e a crítica pelo mero sabor da crítica. Não gosto, mas vou comendo calado... Ontem,  sentia-se a instabilidade crescente da equipa na segunda parte. O público foi ajudando com o seu incentivo em forma de assobio a cada passe em direção a Fabiano. Mas, inversamente, também assobiavam se os defesas jogavam longo e não acertavam na zona de nenhum avançado. Especialistas... Mas o melhor veio quando o Lopes lança Ruben e tira Quintero. O homem já mancava e, assim que saiu, teve de 'ligar' a perna para conter as dores. Além disso, o jogo estava completamente descontrolado mas, mesmo assim, queremos avançados! Queremos Quaresma! Queremos um esquema de 2-2-6! Vamos à vitória Porto! É nestas alturas que eu até aprecio treinadores com o feitio de Lopetegui. Estava-se a marimbar para os assobios e fez o que tinha de fazer. Mas podia ter-se defendido mais ao meter Oliver, mas ele não quer saber. Mas o episódio que queria contar era outro. Perante a assobiadela geral houve três adolescentes que se levantaram à minha frente e, com aquele tom de voz, normal nestas idades e que oscila entre o esganiçado e o quase grosso, gritaram «Portistas de Merda!», para admiração geral. E continuaram virados para trás revoltados com as reacções de gozo e de paternalismo. O portismo destes miúdos é ceguinho e provavelmente acrítico. Mas, sinceramente, eu prefiro um portista que acredita sem saber porquê, do que um portista que critica sem saber porquê...


segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Critério editorial


Sempre me habituei ao facto de haver um jornal bem informado sobre os assuntos do nosso clube. Dá sempre a ideia que as correntes de pensamento na liderança do FCPorto e o critério editorial do jornal seguem em paralelo, tal como acontece em todos os jornais desportivos que conheço. Sabendo que Lopetegui é uma aposta clara de toda a estrutura directiva, estranho muito a capa de hoje. Sabemos que os portistas estão irritados com as 'invenções de Lopetegui'. Poucos são os que pedem a cabeça do treinador, mas a grande maioria pede que repense a sua abordagem aos jogos. Pois 'O Jogo' anuncia a teimosia do treinador perante essa exigência dos adeptos. Será que as linhas não irão seguir paralelas? Será que a notícia foi plantada por alguém da estrutura portista para exponenciar ainda mais o clima à volta de um treinador que está a desperdiçar condições ímpares, quando comparado com os seus antecessores? Estranho... Muito estranho...

domingo, 19 de Outubro de 2014

Futebol Aleatório


Já sei que o futebol tem sempre uma forte componente do imprevisível. Mas há coisas que tendem a diminuir a probalidade de insucesso. Exemplos clássicos: o factor 'casa', a qualidade do plantel, a história recente dos clubes, a orientação técnica, etc.. Por falar em 'etc.', falemos do elemento que insiste em tornar o nosso sucesso num fenómeno puramente aleatório: Lopetegui. Ontem o resultado foi um desastre. E isso faz com que os vencedores e a sua imprensa tentem transformar aquilo num passeio, numa demonstração de força ou no tão desejado fim de ciclo. A verdade é que a grande vitória poderia facilmente ter sido a derrota do costume. Vejam as oportunidades de golo, vejam o que aconteceria se o penalti entrava, ou o cabeceamento de Jackson, ou o de Marcano, ou o remate de Quintero  na primeira parte ou até o Adrian isolado na primeira parte. Por outro lado, o Sporting já tinha enviado uma ao poste no primeiro minuto, entre outras duas ou três oportunidades que teve além dos golos. Vamos ao meu ponto: o jogo teve um resultado imprevisível até perto do final. Dirão que é bom para o espectáculo, mas foi péssimo para o FCPorto. Tal como aconteceu com o Braga, em nossa casa o jogo é imprevisível e a culpa é de Lopetegui.

Não se pode dizer que o homem não tem ideias, nem que não estuda os adversários, nem que não tem uma personalidade vincada e com potencial. O problema é que as ideias têm sido más, os adversários também nos estudam, a coragem está a transformar-se insanidade táctica e a confiança está a transformar-se em sobranceria.

Vamos às ideias chave: campo largo com a equipa bem espalhada e com opções de passe disponíveis no flanco contrário favorecendo a circulação; forte confiança no talento individual com insistência em situações de um para um seja no ataque, seja na construção, de preferência nos flancos; rotatividade elevada e plantel constantemente motivado, porque qualquer um pode jogar qualquer jogo. Parecem boas ideias em teoria. Então, porque é que isto falha? São os erros individuais, como diz Lopetegui? Errado, digo eu. Perante um adversário pressionante como o de ontem, cuja estratégia consiste no aproveitar e no forçar do erro do adversário, chegamos a ter o defesa em organização rodeado de 3 jogadores e sem linhas de passe curto anão ser o Guarda redes. Aí, se acerta o passe longo cria situações como a de Adrian. Se falha, não tem proteção. O adversário tem vários jogadores por perto e a maior parte da equipa está longe a dar opções para passes longos de mudança de flanco e de ruptura. Erros acontecem e por isso é que o futebol moderno tem tendência a evoluir para desenhos tácticos coesos e baseados em tentativas de obter superioridades numéricas na zona da bola. Mas Lopetegui acha que vai revolucionar isto. Não sei se não vai mas, para já, só o BATE caiu nisto. Depois a rotatividade. Ninguém nos poderá dizer se o Indi metia aquela bola lá dentro, nem se o Alex Sandro deixava que Nani fosse um dos melhores em campo. Nem que Brahimi falhava aquele lance que Adrian falhou isolado. Mas também ninguém poderá dizer o contrário! Para os jogos mais difíceis, os melhores. É até uma defesa para o treinador. Mas Lopetegui não tem medo da crítica. Tem personalidade forte... «Nos grandes jogos, não mudes a táctica em função do adversário». Clássico conselho que se dá aos treinadores. Mas Lopetegui é mais esperto que os treinadores adversários. Esses conservadores... Treinador forte é o que muda a táctica 3 vezes durante o jogo. O que entra para o jogo como se estivesse a perder 0-2 e o que termina um jogo a perder com a sua táctica mais conservadora... Continuaremos à espera que o génio de Lopetegui vença. Na esperança que isso não nos tire mais títulos como o de ontem...

Individualmente, não gostei de ninguém em especial. Talvez Jackson tenha sido o melhor. Danilo também esteve bem. Destaque também para o passe fabuloso de Quintero para o primeiro golo. Mas depois temos de levar com o Quintero defensivo.Ele já tem dificuldades com tácticas simples, quanto mais com oscilações tácticas constantes... O mesmo direi de Herrera. Depois há exibições fracas de Casemiro, Maicon e Marcano. Oliver não devia ter saído. É ele quem mais equilibra esta equipa. Nota mínima para Lopetegui.

Na Champions virá a redenção. Mas julgo que o Dragão acordou para o problema que temos no banco. Será que o Lopes terá a humildade de mudar?

sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Lviv



É um assunto requentado que guardei para abordar nestas irritantes e longas pausas no campeonato.

Vou lembrar-me sempre desta cidade, porque foi a primeira vez que o FCPorto não utilizou qualquer jogador português num jogo. Não fui confirmar mas, de memória, acredito facilmente na notícia.

É uma luta antiga entre adeptos portistas: Qualidade vs Identidade. Por um lado, os que acham que interessará mais a qualidade do que a nacionalidade. Por outro, os que acham que FCPorto também é Porto e, já agora, Portugal. Que a localidade e a nacionalidade são características que ajudam a formar a identidade do clube. Eu tenho tendência em aproximar-me mais dos que defendem a qualidade acima de tudo, mas não consigo tomar esse partido por completo. Isto porque me custa um FCPorto sem portugueses e sem portistas no onze e no plantel. Já sei que o perfil do jogador de futebol actual oscila entre o egocêntrico e o egoísta, mas isso não me impede de achar que um plantel com mais portugueses e portistas cria uma maior identificação entre equipa e adeptos. Que ajuda a criar os nossos capitães de equipa e a harmonizar as transições entre diferentes treinadores, entre planteis e entre gerações de jogadores. São factores demasiado importantes para que sejam reduzidos a simplificações como 'têm de jogar os melhores'. Concordo, mas não me posso resignar! 

De facto, têm de jogar os melhores mas, se num dado momento, não conseguimos que haja portistas e portugueses entre os melhores, temos de fazer algo para mudar essa tendência. Que tem sido feito nesse sentido? Pouco, digo eu. Demos um nome e um prazo a um projecto sem lhe dar importância. Temos um projecto de escolas de futebol que parece estar mais virado para o negócio do que para a formação em si. Criámos uma equipa B onde os melhores jogadores portugueses jogam dois anos para saltarem para a primeira Liga, mas ao serviço de outros clubes como aconteceu com Tozé e como acontecerá com Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência e com os, recentemente e estranhamente proscritos, André Silva e Rafa. 

Não podemos deixar que o oásis, Ruben Neves, nos leve a preocupação com o que aconteceu em Lviv. A tal cidade ucraniana que não vou esquecer...



PS: Dado o assunto, a imagem escolhida não foi um acaso. É uma 'graçola' que envolve o meu 'querido' Lopes... Mas é óbvio que isto é uma consequência dos últimos anos e não é culpa de Lopetegui, por muito que ele tenha promovido esta recente invasão espanhola.

domingo, 5 de Outubro de 2014

Lopeaflição


Para quem ainda não está familiarizado com a condição 'Lopeaflição', passo a explicar os sintomas. Ultimamente, naqueles minutos em que estamos à espera que seja anunciado o onze titular do FCPorto, há aquela sensação de que o Lopetegui vai arranjar maneira de nos surpreender e, pior, que nos vai surpreender pela negativa. Ainda assim, tinha uma leve esperança que hoje não tivesse grandes surpresas. Não há jogos nos próximos tempos e o adversário prometia complicações acima do que é normal nesta Liga Portuguesa. Desconfiava apenas de uma opção que eu não compreendo. Confirmou-se. A aflição de hoje foi Marcano. Eu sei que ele já jogou a 6 na Champions, mas é uma opção que não faz qualquer sentido. Espera-se que seja Marcano a começar a construção do nosso jogo? Tem características para isso? Comparem as características de Marcano com as de Casemiro. E agora comparem com as outras opções que procurámos no mercado como Classie, Darder ou até Campaña que tem jogado na equipa B. Se ao menos tivessemos no plantel um jogador capaz de fazer a posição 6 melhor do que Casemiro e qualquer dos jogadores que não conseguimos contratar... Ruben no banco é, em linguagem que Lopetegui perceba, uma tonteria. Se já o é com Casemiro em condições, torna-se inacreditável com a lesão do brasileiro. 

Não gosto de Lopetegui! Fiz questão de o dizer aqui deixando a porta aberta para que o mister me conquistasse com o seu futebol, já que, em termos de feitio, dificilmente irei mudar de ideias. Nem exigia que tivessemos constantemente exibições como a do BATE, mas isto começa a ser pouco. Torna-se difícil conceber que a equipa tenha tantas dificuldades para ganhar jogos em casa com jogadores como Brahimi, Tello, Quaresma, Quintero, Oliver e Jackson. Somos apenas o sexto melhor ataque do campeonato! Pior que isso, torna-se fastidioso ver que Lopetegui tem de queimar substituições para corrigir os seus próprios erros. Pior ainda, ao fazê-lo, queima os jogadores. Marcano saiu ao intervalo porque se lhe exigiu o que ele não sabe fazer. Por Marcano não o saber fazer, teve de ser Herrera a recuar para pegar no jogo. Mais uma vez, Herrera joga pior ali. Mais uma substituição forçada e um jogador queimado. E Ruben Neves? Põe-no a jogar à frente de Casemiro. O miúdo vai respondendo com dificuldades até ao momento em que falhou. Ficou queimado no banco nos dois jogos seguintes... E Quintero na ala? Traz mais que Tello, Quaresma ou Brahimi? Não. Por lá jogará até ir para o banco por não corresponder às irreais expectativas de Lopetegui. Poderia falar de Quaresma em Alvalade, de Evandro com o Boavista, etc. Estou chateado com isto. Olho para o plantel e até gosto, apesar dos reparos que já aqui fiz à construção do mesmo. Olho para o banco e torço o nariz. Custa-me estar neste estado em relação ao nosso treinador, mas não posso deixar de o escrever. Também espero que no final da época seja aqui tratado de parvo para baixo perante o desempenho da equipa e do treinador. Espero que seja embirração minha e que não tenha razão.

O jogo de ontem foi um descontrolo completo. Muitas oportunidades de golo concedidas, sendo que algumas até foram oferecidas. A qualidade individual dos nossos avançados e a entrada de Ruben Neves e de Quintero resolveram um jogo que insistimos em complicar. Basta ver o numero e a qualidade dos passes de ruptura do Quintero e as recuperações do Ruben Neves. Revolucionaram o nosso jogo e corrigiram o erro de casting de Lopetegui.

Gostei de Quintero a 10, de Ruben a 6, de Tello a extremo e de Danilo a lateral. Reparem na facilidade como eu, leigo, ponho os jogadores nos seu lugares. Já Lopetegui... Não gostei de Alex, de Marcano e dos centrais. Maicon porque insiste em complicar o que é fácil e Indi porque teve uma abordagem imprudente no lance do golo sofrido e em alguns lances perto do final do jogo.

Importam os três pontos. Já estamos numa fase em que não podemos perder mais nenhum. Espero que esta pausa ajude Lopetegui a repensar estas suas ultimas abordagens aos jogos.

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Contas e continhas


 Ainda estou a tentar perceber o que se passou nas AG's de ontem de SAD e Clube. O que se falou nas últimas semanas sobre o assunto parecia um pesadelo e, pelo contrário, o que foi apresentado ontem por Fernando Gomes, pareceu bem melhor. A verdade deve estar lá pelo meio. Em grosso modo, nós Clube perdemos 50% do estádio numa operação de aumento de capital numa SAD que passamos a controlar em 60% no mínimo porque, depois da obrigatória OPA, a % pode ser superior. O aumento de capital era obrigatório por causa da compensação pelos Acionistas do defice de operacional  do último triénio analisado em termos de 'fair-play financeiro'. Falta saber como é que a Somague aceitou os 0,65 €, se há mais contrapartidas no negócio e onde se arranja o 'cash' para financiar a compra destes 20% ou mais. E já agora, como é esta última operação se faz por valores tão baixos. Se bem conheço o clube, os factos irão aparecendo nos próximos tempos por entre rumores e prestações de contas intercalares e finais.

PS: Ainda não foi ontem que consegui ir à minha primeira AG do clube. Continuarei a tentar...

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Avaliação incompleta


Torna-se difícil avaliar este FCPorto e até Lopetegui. Por um lado, somos capazes de atropelar uma equipa da Champions, para logo depois empatarmos em casa com uma das equipa mais frágeis do campeonato nacional. Somos abafados numa primeira parte de um jogo em Alvalade, para depois darmos a volta na segunda parte, ficando a lamentar as oportunidades perdidas. Oscilamos entre jogos em que marcamos 3 a 6 golos e jogos em que nem de penalti se marca. Entre jogos de segurança defensiva absoluta, para jogos em que oferecemos dois golos ao adversário. Perante isto, Lopetegui deita gasolina para a 'fogueira' da instabilidade da equipa com constantes mudanças de jogadores e, mais grave, do próprio esquema de jogo. Este FCPorto é uma bomba relógio. Pode explodir para coisas extraordinárias como foram os últimos cinco minutos na Ucrânia como pode implodir no meio de tanta inconstância e confusão. Enquanto torço pela primeira opção não esqueço tamanho receio de que acabe por acontecer a segunda...

Lopetegui reservou-nos duas surpresas no onze. Más, na minha opinião. Não considero que um jogo de Champions, fora, perante um adversário directo, seja uma boa oportunidade para ensaiar um novo esquema. Como tal, não percebo a introdução de um 6 mais para destruir do que para construir e de um avançado com características diferentes. Isto numa análise pré-jogo. No jogo, Jackson fez questão de provar que deveria ter sido titular e Marcano, apesar de não ter comprometido, apresentou as lacunas e as qualidades que se antecipava e teve de ser substituído quando era preciso mais futebol ofensivo.

Opções à parte, o jogo correu bem até ao primeiro golo do adversário. Tivemos o controlo, as melhores oportunidades e só a nossa irritante dificuldade na definição das jogadas nos impedia de chegar à vantagem. Nem de penalti! Até que chega o momento inesperado: temos de jogar bonito nas saídas de bola e isso iria custar um golo mais cedo ou mais tarde. Pena que tenha sido Oliver a perder a bola. Se havia jogador que não merecia... Aí o FCPorto abanou e desequilibrou-se, apesar de só ter sofrido novo golo perante mais uma oferta, desta vez de Maicon. Mas as oportunidades iam acumulando sem o devido proveito. Um defesa adversário resolveu retribuir com um presente e entrámos no jogo a tempo de evitar males maiores. O banco foi muito importante o que ajuda a desculpar Lopetegui pelo onze inicial. Ou isso, ou ajuda a culpá-lo ainda mais! Empate agri-doce...

Individualmente, destaco o MVP Jackson. Meia hora, dois golos. Nada a acrescentar. Danilo seria o MVP se não fosse o Jackson. Quintero e Adrian também entraram bem. Sobretudo o primeiro. Tello e Brahimi criaram bastantes desequilibrios apesar dos seus respectivos individualismos e Herrera falhou menos passe do que o habitual, o que é sempre uma boa notícia. Aboubakar mostrou pormenores. Apenas isso. Pela negativa, mais uma vez, Alex Sandro. Acorda! Nota mais negativa ainda para os jogares que ofereceram golos e mancharam as suas boas exibições até à altura dos erros.

Está bem encaminhado. Que isto levante a moral para o Braga. Chega de empates!

PS: Mais um penaltizinho por marcar. Seriam três... Pergunta comum: Para que servem os árbitros de baliza?

domingo, 28 de Setembro de 2014

Entre o péssimo e o mau


Já passaram dois dias e o jogo com os vasquinhos ainda me incomoda. Por um lado, escapámos ilesos a uma primeira parte tenebrosa. Já não via disto desde Sevilha no ano passado e aí já levávamos 3 ao intervalo... Por outro, perdemos uma boa oportunidade de trazer os três pontos do campo de um adversário. Preocupa-me sobretudo que perante um adversário mais agressivo, a equipa não consiga ter bola. Sem bola, não há plano b e ficamos uma equipa banal como se viu. Torna-se  inquietante perceber que na garra e sem Oliver em campo, teremos muitas dificuldades no meio-campo. Ou seja, temos talento e temos ideia de jogo, que não conseguiremos implementar desde que o adversário nos morda os calcanhares e dispute todos os lances com intensidade máxima. Preocupante, no mínimo...

Vamos ao jogo. O Sporting chegou ao golo numa carambola que apanhou Alex Sandro a dormir e Fabiano demasiado acordado. Foi o que bastou para que só por volta do minuto 25 se visse FCPorto no campo. Foi mau de mais! Herrera perdido, Ruben e Casemiro a estorvarem-se mutuamente, Marcano nervoso e Alex Sandro embriagado. Avançados nem vê-los. Pobreza preocupante. O intervalo trouxe Oliver para o jogo e tudo mudou. Só vem demonstrar a importância que o miúdo tem nesta equipa. Passamos a controlar o jogo e as oportunidades surgiram com naturalidade. Não foi nada natural a forma como as desperdiçamos. Até o lance do golo ia terminar com um centro mal direccionado do Danilo. Vá lá que foi tenso...

Em resumo, foi tudo mau. Quer o total descontrolo do jogo na primeira parte, quer a medíocre finalização na segunda. Até houve uma lesão a lamentar e dois erros comprometedores do árbitro. Slimani tinha de estar na rua e Maurício deu mão na área. A tempestade perfeita. Vá lá que deu um pontinho...

Individualmente, para mim a única nota positiva é a de Oliver. Revolucionou o jogo da equipa. Brahimi, Casemiro e Herrera melhoraram na segunda parte mas, mesmo assim, não apagam a má imagem da primeira. Pela negativa nem sei por onde hei de começar. Talvez o pior: Alex Sandro. Exibição simplesmente horrível. Depois temos o Ruben, bem substituido ao intervalo, mas a culpa é de quem o põe a jogar ali. Veremos já na Ucrânia se a exibição dele faz com que Lopetegui perceba o erro. Jackson falhou um golo incrível e Tello... Bem, só à bofetada! Aquele lance no último minuto, merecia uma temporada longa no banco. E julgava eu que Brahimi e Quaresma eram individualistas...

Na Ucrânia a retoma. Mas que continue na próxima semana porque, seis pontos, nesta altura do campeonato é muito ponto perdido.