segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Deslize



Quatro pontos perdidos em dois jogos. Suficiente para perceber que as análises à equipa não podem roçar nem o 8, nem o 80. Equipa capaz de golear na Champions e capaz de perder pontos em casa com a equipa mais fraca do campeonato. Arrisco esta precoce avaliação porque acho mesmo preocupante a falta de qualidade deste Boavista e porque isso só torna mais inadmissível o resultado de ontem. Ontem tivemos um FCPorto mais próximo de outros tempos: tivemos um erro individual grave de Maicon; demonstrámos falta de soluções para ultrapassar o bloco baixo do adversário e insistimos demasiado em acções individuais; e tivemos Jackson sozinho na área. O campo não ajudou, o tempo também não, mas insisto: perder pontos com este Boavista é um resultado péssimo!

Vamos às razões do descalabro: Lopetegui e Maicon. Limpemos já o assunto da expulsão. Para mim, um erro individual grave. Ouvi no Dragão argumentos contra a expulsão como a zona da falta, a total ausência de perigo do lance e as condições do terreno que facilitam os deslizes. Podem usar os mesmo argumentos para insultar o Maicon de burro para baixo! Independentemente de entrar de trás ou de lado, de sola ou não, pôs-se à disposição do critério do árbitro e fê-lo sem necessidade alguma. Tenho hesitado em elogiar o arranque de época de Maicon porque ele arranja sempre uma 'paragem de cérebro' por jogo. Esta teve influência directa no jogo da equipa.

Depois Lopetegui. Elogiámos aqui a ousadia demonstrada na Champions. Jackson teve companhia  e a equipa demonstrou uma sede de golos assinalável. Desmontámos consecutivamente um bloco baixo com a povoação da zona ofensiva e com a mobilidade e talento dos nossos avançados. Sendo óbvio que o Boavista iria apresentar um esquema semelhante ao do BATE, porque é que se alterou o esquema? Em nome da rotação do plantel? A equipa assimilou o sinal e entrou em campo com uma clara diferença em termos de ambição. Com a errónea certeza de que as coisas se iriam resolver mais cedo ou mais tarde. A expulsão complicou o que parecia fácil. Mas uma coisa é o adepto achar fácil, outra coisa é Lopetegui deixar que esse sentimento passe para a equipa. Além disso, outras coisas que eu, ilustre treinador de bancada, fazia diferente. Com a entrada de Casemiro ou de um central, tinha recuado o Ruben para 6 em vez do Herrera. Se a intenção era ter o Ruben a jogar entre linhas, mais valia ter Evandro, que está mais habituado a essa posição. E nesse caso, até podíamos recuar Ruben e nem havia necessidade de gastar a substituição ao intervalo. Qual é o sentido de meter um flanqueador como Quaresma se temos Jackson rodeado por 4 jogadores na área? Se entra Adrian, porque é que vai para a ala trocando com Brahimi, se o contrário resultou bem na quarta-feira?

Podíamos ter ganho mas, mesmo com a expulsão, tendo em conta o adversário, estivemos aquém do exigível em termos de produção ofensiva.

Individualmente, nota mínima para Maicon. Nota muito fraca para os nossos extremos. Tello foi uma desilusão e, entre trapalhadas que fizeram lembrar um  Iturbe 'tenrinho', falhou até a nossa melhor oportunidade de forma escandalosa. Brahimi mostrou um pouco da sua outra face. Perante a adversidade perde-se em individualismos. Se assim continuar, recomenda-se uma passagem pelo banco como aconteceu com Hulk no início e recentemente com Quaresma. Como diz o mister, a equipa está acima das individualidades. Gostei dos dois defesas espanhóis, sobretudo Marcano, apesar de reconhecer que não tiveram muito trabalho. Quem teve muito trabalho foi Jackson. Recomendo que vão rever no resumo a única oportunidade do Boavista em todo o jogo. Reparem quem entra em carrinho por trás de um Andres Fernandez já batido.

Este jogo não altera nada no compromisso em Alvalade. Vitória é o mínimo que se espera.

PS: Apesar de não criticar o critério do árbitro, não deixarei de utilizar este lance como medida de comparação, em termos de rigor, para o resto do campeonato.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Quanto mais me BATEs...


Que resposta ao primeiro resultado menos positivo da época!

Lopetegui surpreende ao apostar num 4x2x4 com Adrian em cunha com Jackson tirando-lhe a responsabilidade de desequilibrar na ala, fazendo valer naquela posição as movimentações sem bola do que propriamente o desequilíbrio com a bola nos pés, onde se tem revelado desastrado ou desinspirado ou outro adjectivo qualquer que revele que para já o “bidone d’oro” é dele.

Constrastando com Adrian, surge Brahimi. Que revelação. Perdido em Granada, explosivo no Dragão! Mas andavam todos a dormir aqui ao lado? É recuperar já os 80% (o Bruno Carvalho explica como) que este não vai demorar uns aninhos a valer muitos milhões. Arrepiante o momento da substituição com o Dragão a prestar a devida vénia ao argelino.

A oferta aos 5 minutos libertou a equipa para os melhores 60 minutos da época (e dos últimos anos), altura em que o marcador já registava 4 golos de diferença e permitiu a Lopetegui gerir desde logo o esforço dos jogadores mais utilizados.

Futebol em progressão, quase sempre ao primeiro toque, rápidas variações de flanco, constantes movimentações e, acima de tudo, uma mudança de atitude fantástica quando se perde a posse de bola e toda a equipa se movimenta na pressão sobre o portador e a tapar as linhas de passe para recuperar de novo a posse.

Fabiano eficiente na única vez que é chamado a intervir (apesar dos lapsos no início e no fim da partida), a dupla de centrais cada vez a entender-se melhor e Casemiro é aquele trinco cabrão que enquanto não tem a bola não larga o osso e por isso faz tantas faltas (se fosse de uma equipa adversária eu não parava de o insultar o jogo todo, como está no Porto para mim é fantástico). Danilo melhor que Alex Sandro mas os laterais estão em grande nível e nem quero comparar com o ano passado. Continuamos a não ver o Herrera do Mundial, parece que não se solta e isso nota-se principalmente com a bola nos pés porque sem ela, seja em processos ofensivos ou defensivos ele enche completamente o campo. Jackson é fantástico, está permanentemente em movimento e a mostrar-se aos colegas, os miúdos que sonham ser avançados deviam ir ao Dragão e só olhar para os movimentos do Cha Cha Cha. Quaresma está diferente, mais jogador de equipa e recuperou duas bolas na primeira parte porque fechou a subida do lateral, é sinal de humildade e de boas notícias para a nossa equipa. Talvez a seguir a Adriaanse seja Julen capaz de tornar Quaresma um jogador de equipa em vez de artista de circo…

Por fim, Evandro/Aboubakar/Tello, tiveram a ‘infelicidade’ de entrar numa altura em que os colegas já tiravam o pé do acelerador mas mesmo assim tiveram pormenores interessantes: Tello assistiu, Aboubakar marcou e Evandro quase assistia… um adversário! Mas Evandro é craque, que pena já ter uma certa idade, a bolinha não chora naqueles pés.

Gostei da inovação tática, gostei da equipa, gostei de ir ao Dragão, gostei de não ter apanhado chuva quando vinha de moto para casa…


Não estranhem a qualidade da crónica… não foi o Prata que a escreveu!

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Mau maria!



Estávamos todos com a ideia que ia ser complicado e, pelo menos quem prestou atenção à nomeação do Paulo, tinha incluído esse factor no 'complicómetro' para definir o grau de dificuldade. Isto a juntar ao bom campeonato do Guimarães, à lesão do gerreiro Oliver, aos jogadores que fizeram apenas um treino esta semana e à sempre problemática aproximação à estreia na Champions. Ainda assim consegui ser surpreendido. Foi ainda mais difícil que esperava. Não fiquei descontente com a exibição, apesar da entrada em falso na primeira parte.

Comecemos por aí. Excluindo o bom lance que resulta no primeiro remate de Brahimi, fomos completamente engolidos pelo futebol de combate do adversário, nos primeiros 30 minutos. Não conseguimos sair a jogar e notava-se que os adversários chegavam invariavelmente primeiro à bola. De tal forma que se abdicou a certa altura das saídas de bola pelos centrais. Nessa altura valeu o Maicon que varreu tudo impedindo aflições de maior para a nossa baliza. A excepção foi um canto em que conseguiram rematar com o pé a meio metro da linha de golo. A rever o posicionamento nestes lances onde, ao contrário do que diz o chato do Freitas Lobo (há pachorra para este gajo?), não fazemos marcação homem-a-homem... Há jogadores posicionais e outros que fazem marcação, o que me parece bem. Depois veio a habitual confusão nas bancadas e o jogo mudou. O jogo passou a ser nosso, com diversas oportunidades de golo e com o adversário remetido à sua área e pouco mais. O nosso golo surgiu naturalmente ao contrário do golo adversário que foi uma oferta de Jackson. Ainda reagimos mas o relógio apertava e deixou de haver calma na definição dos lances. O maior exemplo é aquele lance inexplicável de Tello em que tinha tudo para rematar e resolveu driblar puxando a bola para o seu pé mais fraco... Merecemos ganhar, fomos melhores durante a uma parte maior do jogo e não ganhamos porque não estivemos inspirados nos detalhes, nomeadamente no da finalização.

Por falar em falta de inspiração, falemos de Paulo Batista. Perante um jogo exigente entre dois dos clubes que seguiam e seguem em primeiro lugar, num estádio escaldante, a nomeação de um tipo que figura consistentemente nos candidatos à descida de categoria, tinha de ser encarada com estranheza. Depois de dois penaltis por marcar (há um terceiro lance com mão dentro da área que não conto aqui) e um golo mal anulado, sendo que um dos lances de penalti teria de dar direito a expulsão... A estranheza desaparece. Lopetegui parece ser um resultadista e ontem percebeu certamente que vale a pena apontar para o 3-0 que é para ficarmos livres de 'aflições' destas.

Individualmente, começo pelas críticas. O meio-campo não teve pedalada para a luta que se travou nos primeiros 30 minutos. Lopetegui tenta, nestes jogos, reforçar o meio com Alas que jogam por dentro. Desta vez não funcionou porque nenhum deles era o Oliver que tem outra capacidade de luta. Nota negativa para todos, especialmente para Casemiro que adicionou à contenda uma serie de passes falhados. Notou-se bem a diferença com a entrada de Evandro que é um dos meus destaques pela positiva. MVP para Brahimi que é um desequilibrador nato. Foram as suas arrancadas que puxaram pela equipa. Continuo a querer elogiar o Maicon, mas há sempre um lance em que faz uma trapalhada que mancha a sua exibição. Vá lá que não tem tido influência. Por falar em trapalhadas, nota baixa para Jackson. Muitas responsabilidades no golo sofrido. Tem tudo para aliviar com segurança e tenta sair a 'jogar bonito'. Pagámos caro esse 'bonito'... É de referir que Brahimi ajudou a a esconder a assustadora falta de desequilíbrios vindos do lado contrário. Quintero e Tello fizeram muito pouco.

Foram muitas as dificuldades e julgo que a equipa demonstrou capacidade de reacção. Não consigo deixar de pensar que, a equipa do ano passado, perante tamanhas dificuldades, perderia 9 em 10 jogos destes. E não falo apenas de arbitragem, porque empatámos no Estoril em condições semelhantes. Falo de reação à adversidade e ao jogo intenso do adversário. Pode ser impressão minha...

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Desabafo



Não gosto de Lopetegui!

Antes de pegarem nas tochas e nas forquilhas apresentarei três atenuantes:
1) esta minha avaliação está sujeita a revisões semanais e pode ser que a coisa se inverta;
2) tenho um feitio que já chegou a ser avaliado entre o mau e o 'prefiro a imolação pelo fogo, a aturar este gajo'...
3) não consigo atribuir grandes culpas a Lopetegui por este facto.

Passando à frente as duas primeiras atenuantes e antes de irmos à última, passemos a listar as minhas embirrações:
1) a torre: podia ser um andaime ou até podia sentar-se em cima dos ombros do Rui Barros para ver melhor, mas não deixa de ser um pormenor banal para 'vender' aos adeptos que há métodos inovadores, por pífios que sejam. O facto de Lopetegui o ter pedido como parte da sua revolução na metodologia portista irrita-me.
2) a 'extreme makeover': olhamos para o onze e temos apenas três dos jogadores que eram titulares no início do ano passado: Danilo, Alex e Jackson. A estes acrescentamos Fabiano, Herrera e Maicon que foram ganhando o seu espaço ao longo da época passada e, com boa vontade, Quaresma. Mas cedo se percebeu que a intenção era a da revolução no plantel. Eu sou dos que achava que era possível fazer bem melhor com o plantel do ano passado e foi uma das críticas que apontei a Paulo Fonseca. Por isso, irritou-me ver, no último dia do defeso, duas novas contratações e uma dezena de jogadores a sair por empréstimo. É um símbolo da obsessão que se tinha com o 'mudar tudo porque tudo estava mal'. A 'cerejinha no topo' foi aquela frase após o jogo com o Moreirense. Oliver lesionou-se e por isso precisamos ainda mais de reforços. Faltam médios ofensivos a treinar no Olival...Preferia um treinador que trabalhasse a construção do plantel alheio de ideias pré-concebidas e que tentasse adaptar o seu modelo a um plantel (com retoques), em vez tentar o inverso que é bem mais confortável...
3) o modelo de negócio: Conhecemos o FCPorto. O modelo é simples de descrever e difícil de aplicar: comprar barato e em antecipação; desenvolver competências em equipa, de acordo com os valores FCPorto, estimulando a obecessão por títulos; vender caro. É apenas uma simplificação mas ajuda a perceber que este ano o modelo mudou um pouco. Podemos mudar o mercado alvo passando da Argentina para o Brasil, da Colômbia para o México ou da Liga Portuguesa para a Espanhola. Não podemos é mudar o modelo de negócio só porque tivemos uma época horrível. Por entre a sofreguidão de atender às pretensões de Lopetegui, comprámos jogadores inflacionados pelo seu desempenho e presença no Mundial e disponibilizámo-nos para valorizar ao longo do ano, jogadores jovens de clubes de dimensão superior. Vá lá que obtivemos, em certos casos, opções de compra... Demonstra que o saber negocial ainda está lá, mas custa-me a mudança de paradigma perante um modelo que tão bons resultados tem dado.
4) os espanhóis: Custa-me um onze e um plantel sem portugueses. Mas custa-me muito mais um onze e um plantel sem qualidade. Podiam ser todos da guiné equatorial...(até falavam a mesma lingua do treinador...) Mais uma vez volto à questão do plantel construído nos moldes Lopetegui. Não só muda tudo, como parece que cria concepções e exigências tão específicas de jogadores, que acabamos por ter de lhe dar jogadores que ele conhece ou que já trabalharam com ele. Isto passando ao lado de todo o trabalho dos últimos anos da nossa tão elogiada equipa de scouting e até da formação. Depois embirro a sério com a ideia de que estes jogadores só vieram porque queriam trabalhar com ele. O meu FCPorto não chega para trazer o Messi actual, mas não precisa de Lopetegui para convencer os jogadores que vieram...
5) o Quaresma: Não gosto quando os treinadores se têm de 'pôr em bicos de pés' perante o plantel, sobretudo em termos de autoridade. Detesto vedetismos e é impossível desculpá-los sobretudo em Quaresma, que tanto se prejudicou à custa disso. Mas detesto ainda mais manipuladores. Não é preciso inventar problemas para demonstrar que temos capacidade para os resolver.
6) o  Rúben: Será possível criticar a utilização de um talento das escolas do FCPorto, ainda para mais com 17 anos? Não é possível. Mas fico com a sensação de que o miúdo só é opção porque ocorreu uma conjucação irrrepetível de factores que permitiu que ele pudesse, entre lesões de colegas, indefinições de mercado e jogadores ao serviço das Seleções, provar que tem qualidade e características para encaixar na concepção de médio de Lopetegui. Pensemos no caso de Rafa, a título de exemplo, até porque há mais talentos na nossa estrutura de formação. Ficou estabelecido que o Alex precisava de concorrência, mas será que vinha o Jose Angel se o Rafa tem feito a pré-época? Nunca saberemos porque estava no Europeu de sub-19, mas mais uma vez, na dúvida, vamos à base de dados Lopetegui e não à nossa.

Lopetegui faz o que lhe compete de acordo com os limites que lhe estabelecem. Tal facto impede-me de recriminar apenas o treinador por estes erros que lhe aponto e até responsabiliza mais a Direção do FCPorto. E poderão reparar que nem falei sobre as transições defensivas, as variações de centro de jogo, a posse ou até o futebol sem balizas que temos visto ou até na qualidade dos jogadores que entraram com o seu aval. Isso não está aqui em causa. Vamos antes supor que Lopetegui falha. Já sei que é difícil de conceber agora que estamos inebriados com a ausência de golos sofridos, com os 70% de posse de bola, com os passes do Rúben, com as fintas de Brahimi e com os golos de Jackson, mas vamos tentar. Se correr mal, na próxima época começamos de novo? Vamos ter de dar sempre estes dois meses de benefício da dúvida aos treinadores? Há dinheiro para outra revolução no plantel? Muitos julgam que Lopetegui tem tudo o que queria e que, por isso, sairá mais responsabilizado pelos resultados. Tenho de concordar mas responsabilizarei ainda mais a estrutura se houver um falhanço.
 
Escolhi fazer este artigo numa fase tão precoce da época para ir avisando os meus leitores para o facto de que, a dose de embirração que já tenho para com o nosso treinador, poderá toldar um pouco as minhas crónicas no futuro. Assim, já sabem ao que venho e o esquema fica já combinado: eu 'bato' no Lopetegui e os portistas têm carta branca para 'bater' no cronista mal intencionado. E ficamos à vontade! Ainda assim, espero que, no mínimo, aconteça como com o Vitor: levava todas as semanas, mas, no final, levou ele os dois títulos! O que conta é a 'bolinha dentro da baliza' e lá estarei, no Dragão e não só, para festejar quando acontecer.

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Desenho ofensivo


Olhei para o onze e pensei que poderíamos ter finalmente, um FCPorto capaz de transformar a 'posse de bola' numa 'posse de golos'.  Os extremos que jogaram contra o Lille passaram para a sua posição natural o que implicava a entrada de dois criativos para a organização de jogo e a entrada de Quaresma que, por si só, costuma ser um upgrade de fantasia e de oportunidades de golo. Sobrava ainda a ténue esperança de que Adrian não seja o flop que aparenta e de que Jose Angel chegasse para o consumo interno e para os jogos no Dragão. A primeira parte provou que estava errado em tudo. Não foi por ter mais criativos em campo que tivemos mais oportunidades de golo. Acresce que os dois espanhóis não me agradaram. Além disso, Casemiro, que vinha de duas exibições interessantes, resolveu aplicar ao jogo uma lentidão irritante. Resultado: bocejo colectivo na primeira parte. É interessante perceber quão aborrecido se pode tornar o nosso futebol se não aplicarmos empenho e velocidade no mesmo. E não será o facto de termos em campo Brahimi, Oliver, Quaresma, Tello ou Quintero que vai mudar essa tendência. Ou seja, o desenho pode ser bonito e resultar numa nulidade, em termos práticos.

Na segunda parte a coisa inverteu-se. Mau seria se tal não tivesse acontecido... As oportunidades foram-se acumulando e os golos chegaram naturalmente, apesar de tardiamente. Poderemos registar pela positiva o facto de a equipa não ter entrado em pânicos desnecessários perante um dos muitos 'autocarros' que vamos apanhar este ano. Mas apesar de não ter registado grandes pânicos, registei uma quantidade assinalável de passes absurdos num estilo de 'chuveirada', sobretudo na primeira parte. Na segunda, conseguimos fazer chegar a bola às alas e, a partir daí, foi simples começar a criar mais perigo e golos. De registar a quantidade de jogadores que metemos na área no lance do primeiro golo. Assim fica mais fácil...

Individualmente, destaco Danilo e Maicon pelo facto de terem sido os únicos que mantiveram um rendimento constante ao longo de todo o jogo. Destacarei adicionalmente Jackson que cumpriu a sua função por duas vezes, apresentando bom rendimento. Destacarei num patamar inferior as melhorias significativas de Brahimi e Oliver na segunda parte depois de terem passado ao lado do jogo (ou por baixo...) na primeira. Pela negativa, Casemiro. Notou-se bem a diferença com a entrada do Rúben e isso diz tudo sobre o que o brasileiro não estava a conseguir fazer. Herrera também entrou bem. Depois temos Adrian. Se fizermos um exercício 'Adrian vs Quaresma' será fácil concluir que, no momento da substituição de um deles, só por embriaguez ou embirração poderemos optar pelo cigano. Adrian é um jogador deprimido e Quaresma é um jogador reprimido... Poderei abordar isto em posta própria, mas Adrian assusta tanto como a forma pouco perspicaz como Lopetegui lida com o temperamento de Quaresma. Para terminar esta minha primeira 'sessão de pancadaria' em Lopetegui, poderei dizer que não aprecio assistir a jogadores a discutirem em campo sobre quem vai marcar as bolas paradas, nomeadamente o penalti. Resolva-se previamente! É tão fácil... Quanto a José Angel, prevejo que será uma embirração minha. Não gostei de nada a não ser um sucesão de pedaladas lentas que arrancou numa jogada na segunda parte.

Até à meia noite seguimos inquietos... Mas para ver se não sai ninguém. Já Lopetegui julga que falta muita gente. Habituamos mal o moço...

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Banco novo


Não tive oportunidade de fazer a crónica do jogo do fim-de-semana e, como tal , dedico-lhe o primeiro parágrafo. Nao gostei. Melhor: nao deixámos a mesma imagem de controlo que havíamos deixado nos dois primeiros jogos. Sobretudo na segunda parte. Vamos por partes. Gostei do onze. Acho que nos temos de habituar ao facto de que este ano temos banco. E temos bancada! Quaresma e Danilo ficaram por lá... Se temos estes recursos e se tínhamos um dos jogos do ano três dias depois, há que aproveitar e tentar manter a qualidade com outras peças. Tentou-se isso mas a equipa nao respondeu com a segurança esperada apesar de termos mantido a espinha dorsal da equipa. Tivemos uma equipa que se conformou com a vantagem minima e com um comportamento diferente na segunda parte e só acalmámos com a entrada de Oliver. Perigoso... Destaque positivo para Casemiro e negativo para Adrian que passou ao lado do jogo.

Ontem foi diferente. Mas voltei a notar algumas insuficiências. Mas estas já aceito melhor numa lógica evolutiva. Entrámos muito bem, tivemos várias oportunidades e depois desligámos. Nesses 20 minutos vimos um FCPorto pouco autoritario e até nervoso, sobretudo aquando da lesão de Alex Sandro. A entrada na segunda parte ajudou a virar o jogo a nosso favor e fatalmente a eliminatória. Mas apesar da intensidade que trouxemos do intervalo, resolvemos com a inspiração individual. Há que reflectir nisso. Até agora, Lopetegui privilegia a organização antes da inspiração. Os resultados dão-lhe razão, mas julgo que não poderemos criar uma obcessao na organização que sufoque o rasgo individual, seja de brahimi ou de Quaresma ou de quintero. Num jogo em casa, com este plantel, temos de potenciar a criatividade no onze e nao reprimi-la usando apenas um incendiário, como aconteceu ontem com Brahimi. O único jogador com estas características em campo inventou dois golos, imaginemos se tivéssemos outro na ala oposta? Lopetegui preferiu garantir a entrada na Champions de uma forma segura. Compreendo, mas no futuro quero mais.

Individualmente gostei de Brahimi, MVP, de Danilo, de Jackson e de Herrera. Mas o mexicano dá-nos cabo do juízo até ao momento em que começa a engrenar. Pela negativa, Ruben Neves. O mais nervoso na fase pior do FCPorto. É craque e por isso já lhe aplico a exigencia maxima.

Voltámos à Champions. Nosso habitat natural. Agora é recuperar a reputação depois de no ano passado termos regredido 10 anos em termos de imagem, nomeadamente quanto à dificuldade em jogar no Dragão.


quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Autoritários


A estratégia pareceu conservadora a priori e confirmou-se. Lopetegui não quis arriscar e quis ter bola na maior parte do tempo de jogo. A estratégia funcionou em termos de controlo de jogo e em termos de resultado, que foi muito bom. A bola foi nossa e o fundamental golo fora de casa, também. Não podemos deixar de notar que tivemos apenas uma oportunidade de golo em todo o jogo. Poderemos elogiar a eficácia de 100%, mas também podemos reconhecer que a estratégia delineada não funcionou tão bem, tal como no jogo anterior, no momento da definição das jogadas. Também não ajudou o facto de termos enfrentado um Lille demasiado cínico. Passaram o jogo a distribuir pancada e a esperar pelo erro que só aconteceu duas vezes no final de cada uma das partes e nem aí aproveitaram. Pobre, para quem quer jogar uma Champions e ainda por cima jogando em casa...

O jogo correu bem sobretudo nas primeiras meias horas das duas partes. O nosso jogo responsabiliza muito os defesas e os médios. Tem de ter bola com segurança máxima e nessas alturas fizeram-no com critério. De uma forma geral, a equipa demonstrou grande agressividade e isso notou-se nas recuperações de bola de Jackson, Herrera e sobretudo Oliver, em zonas de terreno avançadas. Pena que não tenha sido dada a devida sequência a estas recuperações. Sobretudo Herrera, que fez bem a ligação a Jackson mas que raramente definiu bem. Nesse aspecto faltou clarividência a todos menos a Rúben Neves. 

Passando à avaliação individual, continuo a achar incrível a calma do miúdo e numa posição que não é a dele! Até agora só o tinha visto a jogar a 6 ou a central. Para mim foi o MVP. Pensei em Maicon mas teve um erro grave no último minuto da primeira parte. No resto esteve o Maicon de há três anos. Depois, continuo a gostar de Oliver e gostei pela primeira vez de Casemiro sobretudo na construção de jogo, que se aproxima cada vez mais do que me parece que Lopetegui pretende e o Rúben também já faz a preceito. Não gostei de Fabiano. Duas intervenções inseguras. Não posso dizer que não gostei de Brahimi, nem Quaresma no jogo anterior. Apenas poderei dizer que Tello já fez melhor. Marcámos três golos e ele está em dois. Merece uma oportunidade. E que o Cigano nem pense em amuar! Pela primeira vez, desde que está no FCPorto, ele precisa mais da equipa do que o que a equipa precisa dele. Se amua, perde o comboio e seria uma pena.

Pequena referência à arbitragem que na primeira parte nos brindou com duas decisões ridículas: o amarelo a Danilo e o penalti não marcado sobre Jackson.

Em suma, bom resultado e boas perspectivas! É assinalável para as transformações que a equipa sofreu. Por exemplo, o Lille mantém a estrutura do plantel e a equipa técnica da época passada...

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O Arranque e o Regresso


O estádio encheu e o que se pedia era uma vitória. Nada mais! Óbvio que queríamos ver alguns números artísticos e percebe-se que esta equipa poderá crescer até patamares muito interessantes, se entrar numa dinâmica de vitórias. Isto porque, apesar de algumas dúvidas, se percebe que há uma ideia e que há artistas para a interpretar. E depois tivemos um extra que foi a estreia do miúdo Ruben Neves com um golo. Curioso aparecer um talento destes logo no ano da 'invasão espanhola'...

A exibição foi segura sem ser deslumbrante. Deu a ideia que não estivemos muito inspirados no momento da definição das jogadas. Ou seja, fraca finalização para o volume de futebol produzido e facilmente verificável no número de passes e na percentagem elevadíssima de posse de bola. Acresce que permitimos apenas uma ocasião ao adversário. Para estreia, não está mal. 

O golo surgiu muito cedo e na sequência de uma das muitas variações que vimos nas marcações de cantos, ora curtos com participação dos laterais, ora directos, sobretudo ao primeiro poste. Logo aqui uma diferença para o ano anterior: há várias coisas que notamos que são trabalhadas. Sejam os cantos, sejam os movimentos de um dos médios entre linhas, seja o movimento do extremo do lado contrário da bola para se colocar em condições de receber a bola numa das constantes variações do centro do jogo, seja na saída para os centrais no pontapé de baliza. Percebe-se que há trabalho e rotinas. Veremos como funcionam e se se notarão nos jogos contra o Lille.

Individualmente gostei de Brahimi, Oliver e dos laterais. Destacaria Brahimi como MVP por ter sido o maior 'incendiário' no futebol da equipa. Um talento para desfrutar ao longo da época, de preferência na ala, mas também pelo meio. Digo 'de preferência na ala' porque tenho gostado muito de Oliver. Incrível entrega ao jogo na pressão e nas movimentações sem bola, sendo até invulgar em jogadores que a tratam tão bem. Poderia ter escolhido um dos laterais por estarem a interpretar na perfeição o que Lopetegui pretende deles em termos ofensivos. Não o fiz porque ambos tiveram erros que não comprometeram, mas que eu considerei graves. Não gostei muito de Quaresma. Percebo que se entregou ao jogo como poucos, mas espero mais de um jogador destes, do que remates que quase parece que são para as estatísticas. Tello fez melhor em 10 minutos. Ainda assim esteve bem melhor que Herrera que fez uma exibição estranhamente pobre. Quanto a Lopetegui, além dos elogios que já lhe fiz, juntaria outro: pôs a jogar os onze melhores da pré-época. Que o faça sempre. Apenas me custou perceber a subida do Ruben no terreno aquando da entrada de Casemiro.

Até aqui discutimos o arranque. Passemos ao regresso. Hoje jogou-se um Braga-Boavista que é a última pedra colocada em cima do ridículo 'Apito Final'. Talvez a maior ofensiva administrativa que sofremos até hoje e o Boavista apanhou por tabela. Eu gosto do simbolismo destas coisas e faz-me recordar que, por muito que eu vá gostando dos desenhos do Lopetegui e das fintas do Brahimi, o futebol joga-se em vários tabuleiros e que temos que jogar muito mais que os outros para retomar o caminho das vitórias interrompido no ano passado.