domingo, 9 de Novembro de 2014

Estica!


Começo com um conselho para Lopetegui: Quanto mais partir os jogos maior será a probabilidade de um adversário inferior discutir o jogo. Seria necessário dar conselhos, nesta altura do campeonato? Seria necessário mudar o esquema depois do brilharete em Bilbau? Seria necessário poupar jogadores quando o próximo jogo é daqui a 17 dias? Para não ser chato, deixo uma última pergunta, até quando vamos ter de aturar isto Lopes?

Estou demasiado incomodado para fazer uma crónica em condições. Lopes partiu o jogo e decidiu não o controlar. «Estica lá para a frente para ver como é que isto corre!» Começou por correr bem para, logo a seguir, correr mal. Voltou a correr bem sem que a bola entrasse. Fabiano resolveu pôr as coisas a correr ainda pior. No final um golpe de sorte e de talento. Podia ter sido pior, podia ter sido melhor, enfim... Não há pachorra para tanto talento desperdiçado. Pôr a bola a sobrevoar o meio campo, com o talento que temos é um atentado ao futebol. Esticar jogo é solução para equipas de tostões. Quem analisou as contas da temporada passada sabe que não é o nosso caso... 

O treinador também não deve ter sido barato. Pergunto-me se se pretendia um futebol sem meio-campo, quando se vai buscar um treinador da escola espanhola? Será que acertamos num espanhol que aprecia mais a escola inglesa dos anos oitenta? Gato por lebre? Hoje deu-me para as perguntas... Irritante, eu sei.

Individualmente, gostei do arranque de jogo de Brahimi, do arranque de segunda parte de Herrera e de pouco mais. Adrian é um caso patológico de inadaptação. Nenhum esquema favorece o menino. Fabiano teve um erro individual grave que quase nos custou a invencibilidade. Irónico que o segundo golo do Estoril tenha sido construído por dois dos melhores jogadores das duas últimas temporadas do FCPorto B...

E voltámos a ficar sem futebol. Começam a ser irritantes estas paragens...

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

1987.10.21 - Real Madrid 2-1 FC Porto (Madjer)...

Numa semana em que outro argelino brilhou por terras espanholas, relembramos um golo de Madjer, também na então Taça dos Campeões Europeus, que nos colocou a vencer contra o Real Madrid... o resultado final não foi do nosso agrado, mas ficou este momento...

quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

Irrepreensível


Talvez a melhor exibição da época. Com o BATE foi um festival, mas hoje as condições eram bem mais difíceis. Basta ver que, há dias e neste estádio, o Sevilha perdeu a oportunidade de se isolar na liderança do campeonato espanhol. E o relvado estava muito complicado, o Bilbau precisava de pontuar para se manter na prova e o estádio, em si, mete medo às equipas menos preparadas. Pois não foi o caso. Demonstrámos que estávamos preparados e estivemos à altura do desafio. Basta ver que, em todo o jogo, permitimos apenas uma oportunidade de golo num lance de bola parada em que o adversário cabeceia de costas, marcadíssimo pelos nossos defesas. É de facto uma exibição autoritária na melhor competição do mundo. Diz muito sobre o que este FCPorto pode fazer em jogos de exigência máxima. É até caricato pensar que controlámos melhor este jogo que os quatro últimos em nossa casa. A troca de Quintero por Oliver não pode explicar tudo. A Champions traz motivação extra, mas convém apresentar um rendimento mais constante em competições internas. Resumindo, atingimos um dos objectivos da época no mínimo de jogos possível. Até agora, competição irrepreensível!

Finalmente um jogo descansado! Segurança defensiva, meio campo coeso, sereno e agressivo na reacção à perda e Jackson e Brahimi a espalharem o terror nos defesas contrários. Faltou talvez um Tello mais inspirado para ser perfeito. É de destacar adicionalmente que o único erro grave que cometemos foi o penalti falhado pelo Jackson. Nada de trapalhadas defensivas. Acima de tudo, autoridade no jogo e uma posse de bola mais segura e apoiada. Um meio-campo de combate como suporte aos 3 artistas na frente. Sobretudo Brahimi que, inspirado, até pode ter uma equipa inteira a trabalhar para ele. Ele sozinho trata de ocupar todos os defesas contrários. Destaco sobretudo o espírito combativo de todos os jogadores. Que continue.

Individualmente, o MVP é Brahimi. Óbvio. Dois golos praticamente seus a que poderemos acrescentar todo o pânico que foi espalhando. Depois Casemiro e Oliver. O primeiro, tanto parece que evolui como, de repente, regride na sua adaptação a 6. Ontem pareceu perfeitamente adaptado. Oliver é um maratonista que ainda consegue ser agressivo com os adversários e carinhoso com a redonda. Talento raro que, quando se aproxima da zona de Brahimi, é só ver os defesas a 'cheirar' a bola. Jackson esteve bem em tudo menos no que se exige dele: golos. Vá lá que Brahimi ajudou, porque a noite estava a ser desastrosa em termos de finalização. Por tudo o resto, é impossível dar uma nota fraca a este jogador. O mesmo se poderá dizer do Danilo versão 2014/15. Sempre em alta rotação. Pela negativa, Tello. Não fez nada de especial e o Lopes fez bem em tirá-lo. Pena que Quaresma também não tenha trazido nada de muito relevante. Por falar no Lopes, consegui no último post adivinhar o onze que ia jogar. Não que eu seja sobredotado, apenas registo que me parece que jogaram os melhores, sem fugir do nos esquema habitual. Sem invenções, sem o seu habitual 'overthinking'. Apenas os melhores dos disponíveis.

O próximo jogo também é a doer. Espero um empenho semelhante na montra da 'Linha'...

domingo, 2 de Novembro de 2014

O momento



Nem sei onde ouvi, nem quem foram os autores, mas tenho ouvido muito esta teoria de que o futebol é o momento. Querem com isto dizer que é facil passar de bestial a besta, sobretudo os treinadores. Neste caso, prefiro ir pelo sentido mais literal. De facto, futebol é aquele momento em que Brahimi nos tirou mais uma vez das cadeiras! Sublime! Será sacrilégio dizer que Brahimi é um Madjer 2.0? Eu arrisco!

Já falamos do mais importante. Vamos ao jogo. Lopetegui tentou refrescar a equipa, tacticamente e fisicamente, com a saída de Herrera por Oliver. Já se tinha ensaiado este esquema com o Moreirense, na altura com Brahimi no lugar de Quintero. Não direi que é uma solução a esquecer. Direi que tem que ser repensada e retocada. Tivemos uns primeiros minutos interessantes e chegámos ao golo cedo e com naturalidade. Depois veio a reacção do adversário e, tal como seria de esperar o jogo partiu-se um pouco. Oliver corria muito e nem sempre bem, Casemiro ia apagando fogos e Quintero nem entra nestas discusões sobre posicionamentos e dinâmicas. Para ele, futebol é bola no pé. No dele e no dos avançados que ele tenta isolar. Logo aqui, percebemos que tínhamos um meio-campo a funcionar a ritmos diferentes. E o miolo é o coração do jogo. Logo, ficámos entregues às individualidades, às correrias em transições e às oportunidades de golo nas duas balizas. O Nacional teve menos, mas também as teve. Tal como o Braga, o Bilbau, os vasquinhos, quase todos os que visitaram o Dragão. Bastou um período menos inspirado de Quaresma e Brahimi para o Dragão temer problemas. Só haverá uma maneira de termos jogos descansados no Dragão. Eficácia nos primeiros minutos! Golos! Não podemos estar à espera de um milagre técnico que nos faça gerir melhor a posse, os ritmos, etc. Lopetegui não quer. Gosta deste futebol vertiginoso. Adivinham-se calafrios, mas também se adivinham Bate's Borisov's...

Individualmente, destaco Brahimi como MVP. Uns segundinhos de jogo, bastaram para tal façanha. Isto apesar das trapalhadas e dos individualismos excessivos que lhe vamos notando a espaços. O resto, vai compensando.., Danilo foi mais constante na qualidade. Talvez o melhor Dragão neste inicio de época. Já merecia o golo. Também gostei do espírito combativo de Casemiro. Bate muito e bate quase sempre bem. Também é dos únicos que bate... Falta alguma agressividade na equipa e Herrera ajuda mais. Pela negativa, Quintero que não conseguiu espalhar a magia que esperávamos dele. O Lopes mexeu bem, com a entrada de Herrera. Segurou a vitória.

Em Bilbau, a oportunidade atingir já um dos objectivos da época. Acredito que Tello e Herrera deverão regressar no lugar de Quaresma e de Quintero.

domingo, 26 de Outubro de 2014

Passeio


Não era fácil de prever, mas o jogo foi fácil. Nem defendemos propriamente bem, mas o pânico constante que fomos espalhando na defesa do Arouca chegou para nos poupar dos habituais calafrios e trapalhadas defensivas. Tanto talento naquela frente de ataque deixa-nos a sensação que estes jogos serão para repetir. Mas não poderemos analisar o jogo e o bom desempenho da equipa sem falar da  rotatividade. Rodou um jogador e a equipa reagiu à altura. Esperemos que o Lopes tome nota do facto. 

Vamos ao jogo. Entrámos bem e chegamos ao golo tarde para o jogo que estávamos a fazer. Isto por entre duas ou três trapalhadas de Marcano. A bola estava a entrar facilmente em Quintero e isso bastou para que as jogadas de perigo se sucedessem. Mas isso constitui uma alteração no nosso jogo habitual. Parecia que estávamos a insistir muito no jogo pelas alas e, com isso, tornámo-nos algo previsíveis. A entrada de Quintero para o meio veio mudar isso. Na cabeça da área é capaz de rematar, de driblar e de assistir em curtos espaços de terreno. Se o deixam receber ali a bola... O jogo pareceu fácil porque temos a sensação que não foi precisa uma exibição grandiosa para conseguir uma goleada fora de casa. 

Individualmente, estivemos bem do meio campo para a frente. Destacaria Jackson pelos golos e pelo trabalho, mas Quintero também esteve muito bem. Tello e Brahimi tiveram boas jogadas mas não foram tão constantes na exibição. Destaque adicional para Fabiano que deu segurança quando era precisa. Pela negativa, a única surpresa no onze. Marcano fez uma má primeira parte. Melhorou na segunda. Destacaria por último a queda do mito de que Quaresma não rende a partir do banco. Com a Selecção e com o jogo da Champions são já duas assistências e um golo em pouco mais de 50 minutos de utilização. 

A seguir ao próximo jogo temos Champions. Ficarei inquieto até perceber quais serão os 6 jogadores que se vai rodar nesse jogo...

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Reagindo


Vitória muito importante! E é importante sob três perspectivas: 'resultadista', técnica e psicológica.

Do ponto de vista do resultado estabelecemos um fosso em relação ao adversário de ontem, que nos permitirá gerir os próximos três jogos com outra confiança. Sete pontos em três jogos, tendo já jogado em casa do principal adversário, roça a perfeição.

Depois havia Lopetegui. O que é que o tipo iria inventar depois da Taça? Dizia 'O Jogo' e o próprio, na conferência de imprensa de lançamento, que tudo permaneceria igual. Nem tudo... Na minha opinião jogou um dos melhores onzes possíveis, ou próximo disso. Talvez pudesse encontrar lugar para Oliver e Rúben na equipa ou até para Quaresma,  mas o onze satisfez. Logo à partida, o receio das invenções atenuou um pouco. O esquema também não desiludiu. Entrámos bem no jogo e a primeira parte é bem agradável. Conseguimos fomentar a criatividade de Quintero e simultâneamente promover a velocidade de Danilo e Tello. Voltamos a ter alguma dificuldade nas decisões. Tello, Brahimi e Quintero demoram eternidades a rematar e os lances foram-se perdendo por falta de objectividade. Mas o futebol estava lá e acabou por compensar mesmo no final, com o golo do 'patinho feio'. O problema é que o arranque da segunda parte foi pior. As alterações  no Bilbau foram cirúrgicas e expuseram as nossas limitações num meio-campo que tem Quintero. Já vimos que não podemos ter tudo. Ou temos os passes para golo ou temos a segurança defensiva no miolo. Ainda por cima, Tello e Brahimi não têm a capacidade de nestas alturas ajudarem Jackson na pressão à saída do adversário e foi muito vulgar ver os médios criativos adversários a receber entre linhas, de frente para a baliza. O jogo ficou partido e o golo surgiu em mais uma perda de bola mas, neste caso, poderia ter acontecido de outra forma, tal era a nossa incapacidade de controlar a reacção do adversário. Lopetegui reagiu tarde mas bem, apesar da indignação do Dragão. Depois de controlar o jogo tentou ganhá-lo com Quaresma e conseguiu. Outra solução possível poderia ser a entrada de Oliver por Quintero. Poupava nos assobios e acredito que o efeito seria semelhante. Mas acho que o Lopes esteve bem. Apenas lhe posso apontar que o Rúben poderia ter entrado 5 minutos mais cedo.

Por último, o efeito psicológico. Perante a contrariedade fica a reacção e isso traz motivação. Não era fácil reagir perante aquele coro de assobios, perante mais um golo oferecido e perante o resultado de Sábado. Reagimos na entrada em jogo e reagimos perante o empate. Veremos os efeitos já no fim de semana. Mas este efeito só poderá ser aproveitado numa lógica de estabilidade nas escolhas. Aguardemos...

Individualmente gostaria de destacar Tello e Alex Sandro. Tello foi o avançado mais perigoso e apenas peca na decisão. Parece que só remata com o pé esquerdo. Talvez a confiança que vai acumulando mude isso. Alex Sandro esteve bem. Defendeu como sabe e apenas cometeu um erro que foi um falta estapafúrdia na cabeça da área, perto do final. Poderia ter sido grave porque foi perigoso... Fica o registo do seu regresso às boas exibições e o facto de continuar a equilibrar a equipa com as subidas constantes de Danilo que, do outro lado, continua a ser dos jogadores em melhor plano. Jackson dificilmente joga mal e Herrera esteve bem, mas manchou a exibição com o mau passe para Casemiro e com o desnorte no início da segunda parte. Casemiro também piorou bastante na segunda parte. Pela negativa, Maicon. Tem de pôr os olhos no seu colega de sector. Indi está longe de ser um fora-de-serie, mas parece viver bem com as suas limitações. Conhece-as e adapta-se ora com agressividade, ora com sentido prático. Maicon, que poderia ser bem melhor, não consegue ser. Vejam a cobertura ridícula que faz no lance do golo. Antes disso um lance em que ganha a frente e consegue ser ultrapassado na mesma, sem usar o corpo nem a vantagem que tinha. Erros demasiado primário para um jogador com tantos anos de casa. Não gostei também de Fabiano. Foram vários os lances de aflição em cruzamentos. 

Referência para os adeptos do Bilbau. Por muito que tenha corrido relativamente bem e de os tipos que estavam à minha volta serem simpáticos, há que repensar se o dinheiro da bilheteira poderá ser trocado pela segurança dos adeptos portistas e dos do Bilbau. Estavam todos espalhados pelo estádio e até dava a ideia que encheriam uma bancada inteira se estivessem todos concentrados no mesmo sitio. Agora expliquem-me como é que iriam controlar aquilo se houvesse algum problema? Ainda por cima, aquela cor não combina nada bem com o estádio...

Para terminar um episódio no Dragão. Não me consigo habituar à malta que me rodeia no meu sector na bancada central do Dragão. Chega a parecer que é um portismo que oscila entre o aburguesado e a crítica pelo mero sabor da crítica. Não gosto, mas vou comendo calado... Ontem,  sentia-se a instabilidade crescente da equipa na segunda parte. O público foi ajudando com o seu incentivo em forma de assobio a cada passe em direção a Fabiano. Mas, inversamente, também assobiavam se os defesas jogavam longo e não acertavam na zona de nenhum avançado. Especialistas... Mas o melhor veio quando o Lopes lança Ruben e tira Quintero. O homem já mancava e, assim que saiu, teve de 'ligar' a perna para conter as dores. Além disso, o jogo estava completamente descontrolado mas, mesmo assim, queremos avançados! Queremos Quaresma! Queremos um esquema de 2-2-6! Vamos à vitória Porto! É nestas alturas que eu até aprecio treinadores com o feitio de Lopetegui. Estava-se a marimbar para os assobios e fez o que tinha de fazer. Mas podia ter-se defendido mais ao meter Oliver, mas ele não quer saber. Mas o episódio que queria contar era outro. Perante a assobiadela geral houve três adolescentes que se levantaram à minha frente e, com aquele tom de voz, normal nestas idades e que oscila entre o esganiçado e o quase grosso, gritaram «Portistas de Merda!», para admiração geral. E continuaram virados para trás revoltados com as reacções de gozo e de paternalismo. O portismo destes miúdos é ceguinho e provavelmente acrítico. Mas, sinceramente, eu prefiro um portista que acredita sem saber porquê, do que um portista que critica sem saber porquê...


segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Critério editorial


Sempre me habituei ao facto de haver um jornal bem informado sobre os assuntos do nosso clube. Dá sempre a ideia que as correntes de pensamento na liderança do FCPorto e o critério editorial do jornal seguem em paralelo, tal como acontece em todos os jornais desportivos que conheço. Sabendo que Lopetegui é uma aposta clara de toda a estrutura directiva, estranho muito a capa de hoje. Sabemos que os portistas estão irritados com as 'invenções de Lopetegui'. Poucos são os que pedem a cabeça do treinador, mas a grande maioria pede que repense a sua abordagem aos jogos. Pois 'O Jogo' anuncia a teimosia do treinador perante essa exigência dos adeptos. Será que as linhas não irão seguir paralelas? Será que a notícia foi plantada por alguém da estrutura portista para exponenciar ainda mais o clima à volta de um treinador que está a desperdiçar condições ímpares, quando comparado com os seus antecessores? Estranho... Muito estranho...

domingo, 19 de Outubro de 2014

Futebol Aleatório


Já sei que o futebol tem sempre uma forte componente do imprevisível. Mas há coisas que tendem a diminuir a probalidade de insucesso. Exemplos clássicos: o factor 'casa', a qualidade do plantel, a história recente dos clubes, a orientação técnica, etc.. Por falar em 'etc.', falemos do elemento que insiste em tornar o nosso sucesso num fenómeno puramente aleatório: Lopetegui. Ontem o resultado foi um desastre. E isso faz com que os vencedores e a sua imprensa tentem transformar aquilo num passeio, numa demonstração de força ou no tão desejado fim de ciclo. A verdade é que a grande vitória poderia facilmente ter sido a derrota do costume. Vejam as oportunidades de golo, vejam o que aconteceria se o penalti entrava, ou o cabeceamento de Jackson, ou o de Marcano, ou o remate de Quintero  na primeira parte ou até o Adrian isolado na primeira parte. Por outro lado, o Sporting já tinha enviado uma ao poste no primeiro minuto, entre outras duas ou três oportunidades que teve além dos golos. Vamos ao meu ponto: o jogo teve um resultado imprevisível até perto do final. Dirão que é bom para o espectáculo, mas foi péssimo para o FCPorto. Tal como aconteceu com o Braga, em nossa casa o jogo é imprevisível e a culpa é de Lopetegui.

Não se pode dizer que o homem não tem ideias, nem que não estuda os adversários, nem que não tem uma personalidade vincada e com potencial. O problema é que as ideias têm sido más, os adversários também nos estudam, a coragem está a transformar-se insanidade táctica e a confiança está a transformar-se em sobranceria.

Vamos às ideias chave: campo largo com a equipa bem espalhada e com opções de passe disponíveis no flanco contrário favorecendo a circulação; forte confiança no talento individual com insistência em situações de um para um seja no ataque, seja na construção, de preferência nos flancos; rotatividade elevada e plantel constantemente motivado, porque qualquer um pode jogar qualquer jogo. Parecem boas ideias em teoria. Então, porque é que isto falha? São os erros individuais, como diz Lopetegui? Errado, digo eu. Perante um adversário pressionante como o de ontem, cuja estratégia consiste no aproveitar e no forçar do erro do adversário, chegamos a ter o defesa em organização rodeado de 3 jogadores e sem linhas de passe curto anão ser o Guarda redes. Aí, se acerta o passe longo cria situações como a de Adrian. Se falha, não tem proteção. O adversário tem vários jogadores por perto e a maior parte da equipa está longe a dar opções para passes longos de mudança de flanco e de ruptura. Erros acontecem e por isso é que o futebol moderno tem tendência a evoluir para desenhos tácticos coesos e baseados em tentativas de obter superioridades numéricas na zona da bola. Mas Lopetegui acha que vai revolucionar isto. Não sei se não vai mas, para já, só o BATE caiu nisto. Depois a rotatividade. Ninguém nos poderá dizer se o Indi metia aquela bola lá dentro, nem se o Alex Sandro deixava que Nani fosse um dos melhores em campo. Nem que Brahimi falhava aquele lance que Adrian falhou isolado. Mas também ninguém poderá dizer o contrário! Para os jogos mais difíceis, os melhores. É até uma defesa para o treinador. Mas Lopetegui não tem medo da crítica. Tem personalidade forte... «Nos grandes jogos, não mudes a táctica em função do adversário». Clássico conselho que se dá aos treinadores. Mas Lopetegui é mais esperto que os treinadores adversários. Esses conservadores... Treinador forte é o que muda a táctica 3 vezes durante o jogo. O que entra para o jogo como se estivesse a perder 0-2 e o que termina um jogo a perder com a sua táctica mais conservadora... Continuaremos à espera que o génio de Lopetegui vença. Na esperança que isso não nos tire mais títulos como o de ontem...

Individualmente, não gostei de ninguém em especial. Talvez Jackson tenha sido o melhor. Danilo também esteve bem. Destaque também para o passe fabuloso de Quintero para o primeiro golo. Mas depois temos de levar com o Quintero defensivo.Ele já tem dificuldades com tácticas simples, quanto mais com oscilações tácticas constantes... O mesmo direi de Herrera. Depois há exibições fracas de Casemiro, Maicon e Marcano. Oliver não devia ter saído. É ele quem mais equilibra esta equipa. Nota mínima para Lopetegui.

Na Champions virá a redenção. Mas julgo que o Dragão acordou para o problema que temos no banco. Será que o Lopes terá a humildade de mudar?