sexta-feira, 3 de julho de 2015

IV Encontro da Bluegosfera



É já amanhã o encontro anual de bloggers portistas. Quem lá esteve no ano passado lembrar-se-á da nossa apresentação, demasiado longa para o pretendido e com problemas de som que não permitiam a total compreensão dos maravilhosos vídeos do Lamas. Este ano, não vamos apresentar nada e só pode correr melhor! Mais a sério, esta iniciativa tem a habitual organização do Jorge Bertocchini do "porta19", José Correia do “Reflexão Portista“, o Paulo ‘Blueboy‘ Santos do “BiBó PoRtO, carago!“, o Nuno Góis do “Mística do Dragão“/”Fórum Somos Porto”, é de louvar, tem tudo para se tornar numa tradição e tenho pena de, mais uma vez, não poder estar presente, pelo menos de manhã.

Fica a divulgação:






Para ver em casa ou numa esplanada com internet:

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Quiz de Verão



Numa tentativa de animar os nossos estimados leitores, deixamos um pequeno quiz próprio desta época de veraneio.

1) Problema matemático: O joãozinho tinha 7 ovos. Normalmente a sua omelete leva 3. Ora se perder 3, recuperar 1 que estava emprestado e comprar mais 4, um deles por 20 milhões, quantos ovos falta contratar para fazer uma táctica de 0-11-0 sem usar ovos da equipa B?

2) Gramática: Na frase «o benfica vai anunciar uma bomba nos próximos dias», a palavra 'bomba' é:
   a) uma figura de estilo que combina ironia e depressão
   b) um advérbio de modo em que falta o 'mente'
   c) um substantivo em que falta a substância

3) Pergunta de desenvolvimento: Explique exemplificando o significado da expressão nortenha «Tem tudo para dar merda!»






Respostas: 
1) 2
2) c)
3) Os três senhores da foto juntos na mesma sala.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FCPorto B-


Tenho a impressão de que o rating 'B-',  em termos de risco de crédito, é mau de mais para aplicá-lo à época do FCPorto B. Acho até que tem sido o rating grego nos últimos tempos. Pouco importa! Se pusesse no título 'B+' não aumentaria muito ao nível de rating e daria uma ideia errada à malta que, como eu, não aprecia este negócio de astrologia da Fitch, Moody's e companhia... O que pretendo dizer é que a época do FCPorto B foi medíocre. 

Para mim esta equipa deveria servir três propósitos:
1) Dar minutos a jogadores jovens da equipa A para que não percam ritmo e possam estar preparados para jogar, quando convocados;
2) Fazer evoluir os jogadores jovens, vindos da formação, na transição para o futebol profissional e eventualmente para a primeira equipa;
3) Ter um espaço para testar contratações mais arriscadas como, por exemplo, jogadores jovens, estrangeiros ou portugueses, que demonstrem potencial mas que não se afigura que estejam, a curto prazo, em condições de entrar na equipa A.

Em nenhum destes parâmetros poderei avaliar esta prestação como sequer mediana. Poucos foram os jogadores que rodaram na equipa B. Lembro-me de Ricardo, Campaña, Reyes e  Otavio. Nenhum deles teve grandes oportunidades na primeira equipa e deu-se até o absurdo de Ricardo jogar mais a extremo quando Lopetegui pensava nele como lateral. Dava até a ideia que o esquema de jogo não era o da equipa principal, o que é bizarro. Chegamos a ver a equipa só com Ivo na frente, com quatro médios, com duplo pivot, etc. O único jogador que evoluiu o suficiente para ajudar a equipa principal nestes três anos foi Carlos Eduardo. E foi por pouco tempo. É escasso...

O que me custa mais é a questão dos jogadores da formação.  Algum evoluiu? Eu diria que estão todos num patamar semelhante ao do início da época. Quatro excepções. Francisco Ramos foi o único que fez uma época interessante. Frederic também esteve globalmente bem mas já estava no seu segundo ano. Ivo teria feito melhor se não fosse aquela decisão estranha de o emprestar a um clube, sem garantir uma utilização mínima. Gonçalo também teria feito melhor não fossem as lesões e o tempo no banco da equipa principal, por causa da lesão de Jackson e da CAN. Dos mais novos, Tomás, Rafa e André Silva fizeram uma época abaixo das expectativas. David Bruno, Kadú e Leandro não parecem poder evoluir mais do que isto que demonstraram nos últimos três anos. Os outros não contam... Esperemos que estas competições internacionais de selecções nos devolvam os jogadores mais confiantes para atacar a segunda liga. É que esta equipa B tem apanhado duas gerações que têm apresentado bons resultados nas selecções jovens. Esta que está o Europeu e sobretudo a que foi ao mundial de Sub20. E no próximo ano temos uma fornada que foi campeã nacional, contra todas as expectativas. Estranho o fraco rendimento destes jogadores quando outras equipas B's fazem melhor com jogadores que são suplentes dos nossos nas selecções nacionais.
Por último, as contratações. Que dizer de Seimann, Anderson Dim, Roniel? Estes não enganam. Basta ver um jogo para dispensar. Chegámos a pedir ao júnior Ruben Macedo para jogar, quando tinha feito 90 minutos pelos sub19, menos de 24 horas antes. Luís Castro preferia isso a chamar Anderson e Roniel à titularidade! Depois temos apostas em que se percebe algum potencial mas que, passado um ano, não vale a pena continuarem a ocupar lugar de outros miúdos. Falo da dupla de desastrados Diego Carlos e Lichnovsky e dos pouco utilizados Djim, Candé e Pité. Em suma, diria que em termos de contratações e apostas em miúdos estrangeiros, este ano foi um desastre! Este ano, até jogadores estrangeiros que mostraram serviço no passado regrediram. O melhor exemplo é Victor Garcia.

Globalmente, diria que a equipa B apresentou três grandes problemas. Não encontrou 3 ou 4 jogadores que segurem a estrutura independentemente das alterações. No ano passado, tínhamos isso com uma dupla de centrais estável e com Mikel, Pedro Moreira e Tózé. Tudo o resto rodava à volta deste 'esqueleto'. Este ano isso não foi possível, logo pela instabilidade dos centrais. Jogaram muitos minutos mas jogam muito pouco. Dos outros apenas conseguimos substituir Pedro Moreira por Francisco Ramos. Não tendo esta 'espinha dorsal' da equipa, Luís Castro teria de ter um plantel mais estável. Não teve! Em Janeiro perdeu Kayembe, Tiago Rodrigues e Ivo. Por último, a qualidade. Frederic, não é Tózé nem Kayembe. Leandro não é Pedro Moreira. Não pensei que fosse possível, mas até Tiago Ferreira, que não me satisfez na época passada, é melhor que qualquer dos estrangeiros contratados. José António, com 48 anos, é melhor...

Ideias a reter deste ano:
- Apesar de não terem tido um rendimento satisfatório, a aposta em ex-juniores provou-se mais acertada do que em jovens estrangeiros desconhecidos.
- Mais uma vez, a equipa principal não utilizou jogadores da equipa B sendo Gonçalo o único exemplo e por poucos minutos.
- As mudanças de Janeiro retiraram valor a um plantel que já era fraco, resultando numa ponta final penosa.


Jogadores a manter:
- Kadu, Victor Garcia, Rafa, Mikel, Tomás, Chico Ramos, Frederic, André Silva, Gonçalo Paciência, Kayembe e Ivo
 
Recomendaria também a inclusão dos seguintes jovens campeões dos sub-19:
- Gudiño - que já fez a transição e que deverá ser o terceiro guarda-redes do plantel principal;
- Dupla de centrais Verdasca e Johansen - Parece-me que valem mais como dupla do que individualmente.
- Fernando Fonseca - Apesar de ter mais um ano de sub19 é um poço de energia na lateral direita. Muita esperança neste miúdo!
- Chidozie e Ruiz - Numeros 6 e 9 fundamentais no título;
- Ruben Macedo e Sérgio Ribeiro - dupla de extremos muito compatível. Ruben mais de rasgo individual e Sérgio mais de gestão de posse e finalização.

terça-feira, 16 de junho de 2015

FCPorto 2014/2015 - Rescaldo - O melhor plantel de sempre



Calma! Esta história do melhor plantel de sempre, é uma treta para valorizar o Bi... Óbvio que não é, quer pelos resultados, quer pelos desempenhos. Poderá ser o mais caro e nem isso é certo, visto que este ano não se gastou tanto em prémios e tivemos várias contratações por empréstimo. O futebol é o terreno ideal para que uma ideia repetida muitas vezes, se transforme em verdade absoluta. Ninguém se dá ao trabalho de confirmar... Nem vale a pena, porque as notícias infundadas dão capas e os desmentidos dão notas de rodapé. 'Come' quem quer...

Este era um plantel rico em soluções de qualidade. Havia um mínimo de duas soluções  para todas as posições e, na única em que não havia, inventou-se uma grande solução que foi Ruben Neves. Adicionalmente, fizemos o esforço adicional para manter Jackson mais um ano. No entanto, no inicio da temporada, apontava dois defeitos grandes à sua composição. Por um lado, a média de idades aliada à ausência de referências do clube no plantel, como um capitão carismático. Jackson é um optimo jogador mas não tem carisma de líder. Mas, o que me fez mais confusão foi a estratégia de acolher três jogadores emprestados. E todos a titulares! Ainda bem que conseguimos ter Tello por dois anos, caso contrário, tínhamos uma mudança garantida de 5 titulares no final da época. Assim temos quatro o que já traz uma carga de problemas para Lopetegui. Era até contraditório. Um plantel jovem é para desenvolver e não para esgotar num ano. Ainda assim, esta análise é de temporada e, não sendo o melhor plantel de sempre, era muito bom e equilibrado.

De uma forma geral a resposta do plantel foi boa. A implementação das ideias do treinador foi gradual e sem grandes resistências. Há no entanto, 'tops e flops'. Esquematizando:

Melhores jogadores:
1º - Jackson - Talvez o 9 mais completo que alguma vez tivemos. A este nível só Gomes. Dado o esquema de Lopetegui era o jogador mais importante do esquema porque liderava a pressão e simultâneamente jogava em apoio e chegava à área para finalizar. Para isso, tinha de correr, lutar, correr, finalizar, correr... Será muito difícil de substituir e recomendo um modelo menos exigente para a posição 9. Caso contrário um jogador promissor como Aboubakar vai-se transformar num Adrian...
2º - Danilo - Já foi patinho feio por causa do preço. Custou, mas lá conseguiu chegar ao nível que se esperava. Mal o conseguiu, os tubarões não hesitaram em contratá-lo. Tem qualidade para outros voos e também vai deixar saudades.
3º - Oliver - Engana. Quem o vê entrar em campo pela primeira vez, antecipa um jogador eminentemente técnico e de bola no pé. Oliver é isso e, para compôr, luta, pressiona, promove o contacto, passa curto, passa longo, enfim... Faz-me duvidar das minhas ideias pré-concebidas sobre esta estratégia valorizar activos alheios. Valeu a pena mudar o nosso paradigma de gestão de planteis para ter Oliver, nem que fosse por uma época? Valeu!
4º - Casemiro - É talvez o jogador que mais evouliu ao longo da época. Início tremido numa adaptação à posição de pivot único. Assim que ele acertou, a equipa passou a demonstrar a segurança que faltou no início. Sai muito melhor jogador do que quando entrou e ainda bem que conseguimos algum encaixe com este negócio. Merecemos pelo trabalho de Lopetegui com este jogador.
5º - Brahimi - Esta é polémica... Mas acho que o problema é semelhante ao do Danilo: são as expectativas. Brahimi entrou tão bem que criou a ilusão de que seria sempre assim. Após quatro jogos já podíamos fazer uma compilação para pôr no youtube que deixaria qualquer clube interessado em segui-lo. Mas esquecêmo-nos que foi a sua primeira época no FCPorto. Não conseguiu manter o nivel máximo e esse é o desafio para a próxima época. No entanto, o nível da segunda metade da época é bastante bom e mais que suficiente para ser titular neste FCPorto e no dos anos anteriores. É o segundo melhor marcador da equipa, um dos melhores assistentes e o maior desequilibrador em lances de um para um.

Flops:
1º - Adrian - Que dizer? Quando a contratação mais cara é dos menos utilizados do plantel, está tudo dito. O pior é que me parece que Lopetegui não tem lugar, no seu esquema preferido, para um jogador com estas características. Faz-me pensar que não foi uma indicação do treinador, o que agrava ainda mais a péssima decisão de investimento neste jogador.
2º - Quintero - No post anterior referi que o modelo de jogo de Lopetegui não o favorece. Concordo que quando um jogador que consegue fazer com a bola o que Quintero faz, tem de ser o treinador a arranjar uma maneira de o pôr a jogar e não o contrário. Ainda assim, acho que Quintero podia fazer mais. Se não consegue convencer o treinador a mudar o esquema por sua causa, a estratégia seguinte é convencer os adeptos. E só o fará se conseguir deixar a sua marca, em todas as oportunidades que tem. Quintero não o fez este ano. Por isso, divido a responsabilidade deste flop entre treinador e jogador.
3º - Fabiano - Corriam rumores de que Lopetegui não gostou da primeira impressão que teve de Fabiano e que esse foi o motivo para a contratação de Andres Fernandez. A verdade é que Lopetegui lhe deu todas as condições para ter confiança. O problema é que Fabiano acumulou erros decisivos no Estoril, em casa com o Benfica, em Munique, etc. Pior. Lembram-se de algum jogo este ano em que possamos dizer que teve uma exibição portentosa? Talvez o titular que apresentou um nível mais mediano durante a época.
4º - Hernâni - Para tê-lo estragámos a época de Ivo Rodrigues e emprestámos mais dois jogadores ao Vitória de Guimarães. Valeu a pena? Acho que não. Pelo menos nesta época. Parece só ter um truque na manga: a estonteante velocidade que confunde os adversários e o seu próprio controlo dos lances. Acho que chegou demasiado cedo e que foi apenas mais uma solução para os convocados e para os últimos minutos da partida.
5º - Herrera - Deixo sempre os mais polémicos para o fim da lista. Herrera fez coisas muito boas este ano. Pulmão incrível, chegada à área, golos e assistências. Aqui apenas critíco a inconstância. E é fácil encontrá-la numa análise global de uma época ou até num só jogo. Estes jogadores capazes do melhor e do pior transmitem sempre a esperança de que, algum dia, se transformam em jogadores consistentes. Nesse aspecto julgo que Herrera já podía estar mais evoluído e começa a ser arriscado ter um jogador imprevisível em campo, quando temos alternativas que jogam bem consistentemente como Evandro, Ruben Neves, sem contar com os reforços da próxima época já conhecidos.

Menções honrosas:
- Quaresma e Tello - O primeiro mais consistente e maduro e o segundo mais decisivo porque apresentou o seu nível mais elevado na altura em que mais precisávamos. E ninguém me conseguirá tirar a ideia de que tudo seria diferente se ele não tem perdido os ultimos dois meses da temporada. Um plantel que tem estes dois e Brahimi é um plantel que deixa qualquer treinador descansado quanto à criação de jogo nas alas, quer pela versatilidade, quer pela qualidade.
- Centrais - Podemos não ter nenhum super-talento. Para mim o que se aproxima mais dos centrais de qualidade que vemos na Europa, é Martins Indi. Mas é bom ter três opções que pegam na titularidade sem causar calafrios nas bancadas.
- Ruben Neves - A evolução deste menino enche-nos de orgulho e faz-nos sonhar com um FCPorto que possa conciliar a exigência que temos na composição do nosso onze, com o portismo e o sentimento de clube.

Menções não muito honrosas
- Alex Sandro - Não é pelo rendimento que é, de uma forma geral, bom. Apenas bom. O problema é que parece que o Alex se conformou e que não evoluiu nada, de há dois anos a esta parte. Parece limitativo para tamanho talento. Poderá olhar para o exemplo de Danilo e perceber que será fácil dar o salto se apresentar rendimento para tal. Espero que não esteja a pensar dar o salto em final de contrato. Que perceba que o estatuto de quem entra contratado num dos grande da Europa é muito diferente em relação aos que entram por virem sem contrato. A regra geral é: titulares compram-se, jogadores sem contrato servem para compôr o plantel.
- Reyes - Não é flop porque a expectativa era pouca. Mais um ano perdido de outro investimento caríssimo que fizemos.

Encerro aqui a análise à época. Foi frustrante, dolorosa mas não foi uma calamidade, como alguns portistas pensam e, sobretudo, como a inprensa que nos é adversa pretende vender. Deixo uma serie de ideias para memória futura e para que se responda a esse tipo de raciocínios simplistas e resultadistas:
- Esta época voltámos a estar entre os oito melhores da Europa, vários anos depois;
- Esta foi a época em que ficámos a apenas três pontos do adversário principal;
- Esta foi a época do Paulo Batista em Guimarães e das nomeações cirurgicas do trio de ataque Capela, Xistra e Paixão;
- Esta foi a época em que voltaram as expulsões por palavras;
- Foi a época em que tivemos dois jogadores expulsos na primeira parte em pleno Dragão;
- Foi a época do dilúvio bíblico no Dragão que nos impediu de ganhar ao Boavista;
- Foi o ano em que empatámos um jogo por causa de um penalti sofrido e concretizado por um jogador emprestado pelo FCporto;
- Foi a época em que, entre os Grandes, perder pontos com o Belenenses só poderia acontecer a FCPorto e Sporting;
- Foi a época em que perdemos Jackson, Tello, Oliver e Brahimi, cada um por dois meses e em alturas diferentes;
- Foi a época em que jogámos na Luz 4 dias depois de ser goleados em Munique;

- Foi o ano em que um adversário rasgou um contrato e foi recompensado com um dos melhores jogadores do campeonato, sem custos, por um ano.

Se me contento com estes argumentos de perdedor? Obviamente que não! Mas ajuda-me a concluir que nem tudo está mal e que uma estabilidade de rumo será muito mais frutuosa do que nova revolução e mudança táctica.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

FCPorto 2014/2015 - Rescaldo - O miolo

Vamos então à análise ao trabalho de Lopetegui. Considero que a maior parte das críticas que vejo fazer a Lopetegui por parte de portistas fazem sentido. Posso não concordar, mas não me parecem infundadas. Apresento uma lista das mais vulgares ordenadas pela frequência com que as tenho ouvido:
1ª - Rotatividade exagerada no início da temporada;
2ª - Desconhecimento do futebol português;
3ª - Inexperiência para este nível de exigência;
4ª - Más opções;
5ª - Feitio truculento e demasiado nervosismo no banco;

Diria que as três primeiras críticas aparecem sempre relacionadas. A segunda e a terceira são factos. Se foram determinantes? Sim e não. Por um lado não acho que tenha sido a inexperiência e falta de conhecimento, as causas  da rotatividade. Tal como referi no anterior artigo, na minha opinião, a rotatividade é fruto de uma tentativa de legitimação a revolução efectuada no plantel. Trouxemos muita gente nova porque precisávamos de ter segundas linhas de valor próximo da primeira equipa. Se considerámos que têm valor, temos de os pôr a jogar sem temer perdas de rendimento. O problema é que isto funciona se estivermos perante um esquema de jogo consolidado. E isso levou tempo. Aqui sim, a inexperiência de julgar que podemos efectuar uma revolução com efeitos imediatos. Não ouso afirmar que essa efeméride não tenha acontecido, mas era difícil. Tínhamos de contar com os adversários directos e com a estabilidade de plantel de um e com estabilidade técnica de outro. Tínhamos de contar com factores extra como as arbitragens do início da temporada, os sorteios, os relvados. Acho que apesar do défice de experiência e conhecimento, tínhamos treinador e condições para construir uma equipa ganhadora. Mas houve ousadia a mais, sendo essa fruto de inexperiência.

Quanto a feitio, direi que não é o perfil que mais me agrade num treinador do FCPorto, mas não consigo relacionar isso com o rendimento da equipa. Até porque já tivemos treinadores ganhadores de todos os feitios. Para mim não teve qualquer influência. Quanto a más opções. É uma eterna luta dos 'treinadores de bancada' e que acaba por ser o 'sal' do futebol. Ninguém poderá saber o que acontecia se o Adrian fica no banco contra o Sporting, se o Ricardo tem jogado de início em Munique, tal como o Quaresma na Luz. Para mim são erros mas também tivemos apostas inesperadas que surtiram efeito como a de Evandro contra o Sporting ou a da titularidade de Marcano na segunda volta (que eu ainda não engoli) e a aposta no precoce Ruben Neves. De uma maneira geral, acho que o treinador teve boas opções. Direi mais. A maior parte dos jogadores evoluiu com Lopetegui e isso, para mim, é mais importante que alguns erros de casting ou o mau feitio.

Por falar em 'treinadores de bancada' chego finalmente ao ponto. Tenho ouvido muitas críticas mas não  me parece que esteja a ser tido em consideração o maior problema que eu encontro: o modelo de jogo. Para mim é a maior crítica que lhe aponto. Lopetegui é um treinador de ideias fortes e conseguiu implementá-las. Isso é fundamental para conquistar um grupo. Hoje em dia, pouco interessa um treinador com autoridade e com discurso forte se não tiver uma sustentação técnica e táctica forte. Os jogadores percebem isso. Dou sempre o exemplo negativo de Scolari. O contrário também se aplica e poderei dar o exemplo da nossa aposta falhada no ano passado: Paulo Fonseca. Os resultados extra-FCPorto indicam que o Paulo é bom o que me faz concluir, precipitadamente ou não, que o problema será ao nível da liderança/discurso. Nesse aspecto considero Lopetegui um treinador completo mas não concordo com o modelo. Quando anunciaram a contratação, depois de umas horas de pânico, comecei a acreditar que nos poderíamos aproximar do futebol da selecção espanhola que, no fundo, é decalcado do modelo do Barcelona, clube que tanto aprecio. De facto, temos pressão sobre o adversário e temos posse... Mas ter a bola não basta. Já no tempo de Vitor Pereira apontava esta crítica. Nessa altura parecia-me que tínhamos bola como estratégia de controlo do adversário. Não necessariamente como estratégia ofensiva, porque os jogadores chave nunca se desposicionavam. Não gosto, mas a verdade é que internamente funcionava e perdemos um jogo em dois anos, o que é incrível. O esquema de Lopetegui é mais próximo do de Guardiola e do do Barça. A posse não é uma estratégia defensiva mas é antes um engodo. Assumimos que o adversário se desposiciona mais facilmente quando passa muitos minutos 'a cheirar' a bola e que a impaciência, que se cria nesses momentos, nos cria espaços e duelos individuais que nos favorecem.  Até aqui tudo bem. O problema é o aproveitamento do miolo. Num esquema de Guardiola a bola entra e sai consecutivamente. Tem-se posse de bola onde é mais difícil de jogar e muito mais difícil de defender. Na zona onde só se joga com um toque e com constantes mudanças de posicionamento. Lopetegui aposta mais no passe longo. Para quem duvida trago na imagem uma comparação entre os 'heatmaps' do FCPorto, nos seus melhores jogos da época na Champions, um jogo do Barcelona e um do Guardiola. Reparem como a nossa posse de bola é distinta. É recuada e lateralizada. Já o Barcelona, numa final europeia, apesar de ter estado a ganhar a maior parte do tempo consegue posicionar-se maioritária e consistentemente no meio-campo ofensivo. O miolo é explorado e não sobrevoado. Assim, os problemas surgem de todo lado e não apenas da alas. Estou a imaginar a planificação de qualquer adversário do FCPorto nomeadamente a de Jorge Jesus. Bloco baixo e reforço das alas defensivas. Não será fácil marcar golos mas se o objectivo é não sofrer... A evolução da equipa passará por um melhor aproveitamento do miolo e dos jogadores que melhor decidem nessa zona. Obviamente que estou a falar de Quintero!

Perante isto torna-se mais difícil perceber que eu aqui defenda que Lopetegui deve continuar. De facto eu acho que sim. Por dois motivos. Primeiro porque defendo que os treinadores têm de ter tempo para mostrar valor. É das práticas de gestão que mais aprecio no nosso Presidente. Depois porque me parece que em todos estes aspectos que critico,  Lopetegui tem vindo a evoluir e que ele demonstra capacidade para aprender com erros. A própria equipa demonstrou capacidade de evolução ao longo da temporada tendo sucumbido já perto do final perante uma desvantagem curta de três pontos e perante uma derrota traumática frente a um colosso do futebol mundial que é o Bayern.

Segue-se uma análise aos jogadores.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

FCPorto 2014/2015 - Rescaldo - O rumo (in)definido


Começo esta serie de artigos por uma avaliação ao trabalho da Direcção. A época 2013/2014 foi um desastre! Exigia-se uma resposta clara ao nível da Direcção sob a forma de um novo rumo. Nestes momentos há duas abordagens clássicas. Aumentar o investimento por forma a obter resultados imediatos ou planear um projecto a médio prazo mais estruturante e menos imediato. 

Inicialmente, pensei que nos íamos situar mais perto da segunda opção. Contratámos um treinador por três anos com um perfil de aposta numa reconstrução do plantel com base na juventude, visto que o seu passado como treinador era ligado a nas camadas jovens. Depois vieram as contratações e os rumores de mercado. Parecia que, afinal, o rumo era outro. Estávamos a atacar jovens jogadores por empréstimo ou  jogadores sobrevalorizados por estarem a disputar o Mundial no Brasil. Por um lado, propunhamos-nos a valorizar activos alheios, algo que vai contra o nosso modelo de clube que nos sustentou nos últimos anos. Foram boas aquisições? Óptimas! Conseguimos em Tello, Oliver e Casemiro, três titulares. Mas a época acabou e dois já foram e o outro irá no final do próximo ano. Todos eles a valorizarem-se tirando lugar a outros que ficaram a penar no banco como Quintero, por exemplo.  Por outro lado, estávamos a assediar jogadores caros e já com muito mercado na Europa. Falo de Indi, Brahimi, Aboubakar, Keylor Navas, Classie, Darder, etc. Tudo jogadores que são para apresentar resultados imediatos e para vender com margens bem mais pequenas que as habituais. Sintetizando, por um lado escolhemos um treinador numa lógica a médio prazo com integração de jovens jogadores e por outro temos uma estratégia de construção do plantel para resultados imediatos. Não me parece coerente.

Outra incoerência que detectei foi ao nível das exigências. Lopetegui foi contratado por três anos mas, logo no primeiro, tinha de entrar na Champions fazendo boa figura e lutar para ganhar em todas as competições nacionais. Se assim era, aconselhava-se uma transição menos abrupta entre planteis. O próprio treinador, pouco experiente neste nível, deveria ter temperado o seu ímpeto de revolução. É bem mais fácil trabalhar sobre uma estrutura feita e partir para a promoção de ajustes graduais, do que partir do zero. Sobretudo se nos exigem resultados imediatos! Lopetegui não o fez e a Direcção deu-lhe carta branca para isso. Quase todas as segundas linhas do ano passado saíram e os buracos foram preenchidos por jogadores espanhóis conhecidos do treinador. Pareceu-me deveras imprudente, caro e foi um dos motivos que levaram ao mau arranque. Lopetegui sentiu necessidade de se afirmar como construtor de um plantel sólido e, para isso, resolveu implementar a tal rotatividade que nos roubou pontos e competições.

A época,  na minha opinião foi mal planeada porque se estabeleceu sobre ideias contraditórias. Revolução de plantel raramente resulta em resultados imediatos. Se apostamos na contratação de um treinador para traçar um plano a três anos não podemos abandonar as bases sólidas e as ideias de gestão desportiva que orientaram o nosso clube nestes últimos trinta anos. Neste aspecto desculpo Lopetegui. É inexperiente na construção de um plantel para este nível competitivo. A Direcção é muito mais experiente e deveria ter colocado travão neste ímpeto revolucionário do seu treinador.

O rescaldo será dividido em vários artigos. Continua...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Deleite



Depois de uma época má, tem sido fácil combater a depressão. Não consigo esconder! Estou deliciado com as notícias que vêm da segunda circular!

É um 'fartote'! O presidente que operou a 'famosa' reestruturação financeira, agora mete o clube 'no prego' para contratar um treinador. Conseguiu oferecer mais que o vizinho que teve, no ano passado, um orçamento que era o dobro do dos vasquinhos. Quem paga? Será um fundo? Agora pensem no fenómeno 'Jerry Springer' que vai ser a relação entre Jesus e Bruno de Carvalho...

Além disso, temos uma mudança de ciclo na Luz. Nem todos os portistas reconhecem, mas parece-me claro que o bi é, em grande parte,  resultado da estabilidade técnica. Qualquer alteração seria vantajosa para o FCPorto, se a aposta é num treinador com o perfil de Rui Vitória e num aposta na formação, melhor ainda!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Continuidade de Lopetegui



Não me apetecia muito estar aqui a falar da continuidade de Lopetegui. O Presidente já confirmou, mas nem precisava. Para mim é um facto consumado desde o jogo em casa contra o Bayern. Passo a explicar. Nessa altura, já tínhamos a certeza que nunca iríamos perder o título por muitos pontos e até o podíamos ganhar. Na pior das hipóteses, perante uma desvantagem pontual fácil de explicar/desculpabilizar com árbitros, azar, relva alta, lesões, etc., perante a evidência de que o Lopetegui era capaz de pôr a equipa a jogar um futebol de calibre europeu, nem que fosse por um jogo, pareceu-me claro que uma direcção tão experimentada como a do FCPorto sentiria legitimidade para manter a sua aposta de médio prazo. Nesse momento teria que acontecer um desastre para tirar Lopetegui do rumo da equipa. Foi mau, mas não foi um desastre! Acabou por acontecer uma hecatombe ao nível de resultados mas não ao nível do futebol jogado e ao nível da valorização dos jogadores, que é algo que muito importa à nossa estrutura directiva e ao nosso modelo de negócio. Perdemos tudo, mas a Champions deu notoriedade à equipa, ao modelo de jogo de Lopetegui e aos próprios jogadores. Haverá algum jogador que valha menos do que o que valia no início da temporada? Lembro-me de dois: Quintero e Fabiano. Mas não é pouco para uma época sem títulos? O próprio treinador saiu valorizado. Já sei que não é o que os 'media' portugueses nos vendem. Mas já percebemos que os jornais querem 'sangue'. Por vontade deles, o Jesus já estava a treinar na Turquia há quatro anos e, na verdade, acabou por ser com ele que nos ganharam os três campeonatos que nos faltam nos últimos dez disputados...

Ainda assim, parece-me que a hostilidade do país futebolístico, sobretudo o não portista, perante Lopetegui, é demasiado acentuada. Ora é a história do 'Basco' a puxar por um nacionalismo que já não faz sentido nos dias de hoje, ou aquela mania de o pôr constantemente a falar dos árbitros, para fazer com que ele passe por um treinador que não assume responsabilidades. Tudo serve para nos vender uma ideia de que «este estrangeiro sem experiência aterrou aqui e julga que é melhor que nós». Não vejo em Lopetegui maior arrogância do que em Jesus. Não tem um feitio mais irascível do que Sérgio Conceição. E, em termos de arbitragem, nenhum sportinguista poderá apontar queixas demasiadas, a ninguém! O mesmo poderei dizer dos tipos que andaram por aí a entregar DVD's com lances de arbitragem ao ministro do Desporto da altura... Então, porque é que é Lopetegui que concentra em si todos males do mundo? 

E depois vem a história do plantel mais caro de sempre. Haverá algum plantel do Barcelona nos últimos 10 anos que não seja, na sua altura, o mais caro de sempre? E do Bayern? Só porque o adversário directo diz (facto não provado) que desinvestiu e o FCporto não assume essa tendência, é garantia de que o plantel é o melhor de sempre? Por ser o mais caro? Parece-me que o plantel é melhor que o do adversário, mas é uma percepção de talento futebolísticos. É, por exemplo, muito menos experiente. A nossa média de idades no onze mais utilizado é de 24,3 anos enquanto que a do campeão, com apenas 3 pontos de vantagem, é de 29,4 anos de média. Por opção nossa, claro! É o nosso modelo o de valorizar jogadores e vender caro. É consciente mas não me parece que seja justo simplificar avaliações do plantel meramente pela folha salarial até porque os números apresentados pelos clubes têm tendência a enganar um pouco... É mais provável beneficiar no proximo ano da evolução de um plantel de 25,3 ou de um de 30,4? São opções desportivas e de gestão. E eu tendo a concordar mais com a nossa.

Depois vem a desvalorização da campanha na Champions. Só podem estar a gozar! Não se lembram do nosso desempenho contra Artmedia, Apoel, Malaga, Shalke 04, o Austria de Viena no ano passado, etc.?  São equipas superiores às que defrontámos este ano? Não éramos favoritos nessa altura? Fizemos uma boa competição! Optima até ao desastre de Munique.

Ultimamente, para completar o 'ramalhete', vêm as fontes que garantem coisas escabrosas como porrada com jogadores, divergências com dirigentes. Pergunta óbvia: se Lopetegui é assim tão mau, porque é que o querem fora do FCPorto? É de desconfiar...

Concluindo, tenho críticas a apontar e vou escrevê-las em artigo próprio, mas concordo com a continuidade e com a estratégia de médio prazo que está a ser implementada.